Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2020

No ano de 2016, o então Ministério da Ciência e Tecnologia, que hoje está integrado ao Ministério de comunicações, divulgou dados que mostravam que a China havia investido 2,1% de seu PIB (produto interno bruto) em PD&I (pesquisa, desenvolvimento e inovação). Em contrapartida, os investimentos do Brasil na mesma área caíram de R$ 9,8 bilhões em 2013, para R$ 4,2 bilhões em 2017. Hoje o orçamento fornecido para C&T (ciência e tecnologia) representa menos de 2,0% do PIB do país; Isso não só atrasa o seu desenvolvimento, mas também gera insatisfação nos profissionais que trabalham sob condições medíocres e anacrônicas.

É sabido que a autonomia tecnológica e a especialização de trabalhadores é de suma importância para o crescimento econômico de uma  nação, contudo não é possível que ocorram tais melhoras se o governo não fornecer apoio financeiro e político necessário às universidades e laboratórios. Incentivar empresas a patrocinar pesquisas, promover eventos e aumentar investimentos, são ações governamentais que trariam progresso a este importante setor, porém tais feitos não acontecem.

Consequentemente, devido à falta de recursos e aos baixos salários, muitos pesquisadores têm deixado o Brasil numa tentativa de encontrar condições de trabalho melhores no exterior, fator que, segundo Riley Rodrigues, economista formado em gestão estratégica: “contribui ainda mais para o atraso científico e econômico do país, além de torná-lo mais dependente de produtos tecnológicos estrangeiros.

Ademais, os artigos 218 e 219 da Constituição garantem que o Estado irá incentivar e promover o desenvolvimento tecnológico e a pesquisa a fim de viabilizar a autonomia tecnológica do país, logo torna-se inadmissível o atual descaso das autoridades do governo perante o cenário citado. Os poucos representantes que lutam por um maior financiamento de pesquisas, como a presidente do SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) Helena Nader, afirmam que seria necessário retomar os orçamentos nos níveis do ano de 2013 a fim de que ocorra uma melhora para os pesquisadores e cientistas brasileiros.

Dessa forma, é imprescindível que o Ministério da Educação não só reserve parte da verba recebida para oferecer às universidades e aos centros de pesquisa, como também proponha maneiras de ampliar a interdisciplinaridade no sistema universitário. Nota-se também a importância da existência de políticas internas propostas pelo governo a fim de apoiar pes e a promoção de eventos científicos e acadêmicos por parte das instituições de ensino. Com isso, o mercado ganhará profissionais mais qualificados e a economia brasileira se desenvolverá com maior eficácia.