Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 13/05/2020
Na série “3%” da Netflix, as pessoas buscavam sair de um meio insalubre, com precárias condições de crescimento social, pessoal e profissional, para desfrutar dos benefícios de viver no Maralto. A película evidencia o desejo humano por melhoria, visto na sociedade brasileira quando profissionais, pesquisadores e cientistas saem do país em busca de relações sociais, políticas, e uma estruturação mais benéfica para seu progresso. Ora, uma atmosfera repleta de empasses no combate a esse êxodo, intensificados pelo insuficiente atuação Estatal e pelo ilusionismo mostrado na imprensa.
Tal problemática se dá, em primeira análise, devido a branda atuação do Estado no investimento em pesquisa e ciência no país. De acordo com o diplomata Benjamin Franklin: “Investir em conhecimento rende sempre os melhores juros”. Sob essa ótica, investimentos em educação são fundamentais não só para o desenvolvimento da ciência no Brasil, mas também para preservar os pesquisadores que nele atuam; O Poder Público como gestor de recursos, deveria suprir as necessidades estruturais e financeiras na cultura de desdobramento científico e tecnológico, em contrapartida, isso não é visto de maneira suficiente na comunidade brasileira. Assim, se o Governo não se mobiliza para munir essa questão, não resta futuro sem fuga.
Ademais, outro fator que contribui para tal evasão é a manipulação da imprensa, que mostra um ponto de vista deturpado da verdadeira realidade. Conforme Pierre Bourdieu: “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”. Nessa linha de raciocínio, quando a visão apresentada nas mídias é macaqueada, em especial, pelas unidades de ensino e estudo, o senso crítico dos indivíduos é abalado, uma vez que o significativo desconhecimento da verdade por parte da sociedade gera o emudecimento nesses. Logo, quando o indivíduo se vê sem opção para superar essa mazela, ascende o êxodo.
A fim de amenizar esse quadro, soa oportuno a atuação de dois vetores: As universidades públicas e os profissionais englobados por essa problemática. As unidades de estudo devem requisitar maiores investimentos Governamentais por meio de manifestações em rede pública com o fito de melhorar a sua estrutura física e financeira e assim colaborar com seu público-alvo; Outrossim, cabe a conjuntura pesquisadora se expressar por intermédio das ferramentas midiáticas com o intuito de filtrar as informações disseminadas acerca do âmbito científico de modo a evidenciar as verdades- Medidas essenciais para a permutação dessa situação e que, analogamente, as pessoas beneficiadas não estejam restritas ao “Maralto”.