Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 12/05/2020
No documentário “Pro dia nascer feliz”, o cineasta brasileiro João Jardim retrata como o investimento limitado nos campos educacionais e científicos de um país ocasiona consequências precárias para o curso justo de uma sociedade. Em um paralelo ao retrato narrado, os contínuos empasses contra a fuga de cérebros no Brasil mostra-se um problema nacional, uma vez que atinge de forma majoritária estudantes e profissionais nacionais. Assim, faz-se pertinente observar a ausência de investimentos estatais nos campos de pesquisas do país, que resulta no declínio no crescimento científico nacional.
Em primeiro plano, vale destacar o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seus conceitos acerca da “modernidade líquida”, que ressalva que as sociedades contemporâneas são marcadas pelas instabilidades das relações dos Estados com os meios sociais. Nesse contexto, a teoria proposta por Bauman é observada no Brasil, uma vez que os investimentos dos governos em áreas científicas, como forma de propor meios para o desenvolvimento das pesquisas brasileiras, é pouco dizimado. Essa infeliz esfera ocorre devido a desvalorização dos políticos com meios educacionais e sociais diversificados, que acabam valorizando medidas de interesses próprios e tratam como invisíveis e não rentáveis os campos das pesquisas científicas.
Em segundo plano, é importante evidenciar os conceitos do antropólogo Darcy Ribeiro, que revela que o Brasil, apesar de possuir potencial para o progresso, continua preso em barreiras intrínsecas que impendem o seu desenvolvimento. Sob esse viés, a analogia de Ribeiro é confirmado com a verdade de que o Brasil, apesar de possuir profissionais exemplares, demonstra um declínio no crescimento das áreas científicas do país. Mergulhando nessa ótica, devido às baixas estruturas propostas, os profissionais nacionais optam por continuarem seus trabalhos em países que atendem suas necessidades e explicitam interesses científicos, acarretando na diminuição dos campos das pesquisas nacionais.
Portanto, o Estado brasileiro -principal responsável pela manutenção social- deve, por meio de políticas públicas que irão investir em verbas de ampliações das pesquisas científicas no Brasil, garantir um acesso dos profissionais a ambientes com infraestruturas devidas para suas pesquisas, com o objetivo de aumentar o deficitário investimento estatal atual nas áreas das pesquisas. Consequentemente, a fuga dos conhecimentos científicos irá diminuir, uma vez que os profissionais irão ver o Brasil como um local favorável para a efetivação de suas ideias e irão investir no conhecimento científico nacional.