Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2020

O sonho de morar fora do país sempre foi uma realidade dos brasileiros, ainda mais quando se trata das gerações mais recentes. À vista disso, esse assunto vem ganhando força cada dia mais e com uma característica específica: jovens qualificados que utilizam seus conhecimentos em empresas do exterior. A conhecida “fuga de cérebros” é um debate muito presente na sociedade, o qual gera dúvidas de como combater esse movimento. Dessa forma, a falta de incentivo na ciência por meio do governo e a insegurança em quesitos pessoais sobre o futuro acarretam na intensa saída de profissionais do país.

Desde o Brasil Colonial, o estímulo científico nunca ocorreu como nos outros países. Por conta das boas terras e clima favorável, a melhora no âmbito agronômico nunca foi prioridade, assim como ocorre com as questões de avanço técnico-científico. Conforme a BBC Brasil, as áreas de maior “fuga” são medicina e biomedicina, ou seja, profissões extremamente relevantes em qualquer situação do país e que pode gerar enormes lucros. Todavia, o pensamento governamental nunca foi com esses olhos, uma vez que, em 2019, o Ministério da Educação reduziu 30% dos investimentos nas pesquisas universitárias. A descredibilidade e o menosprezo reforça a ideia de Marquês de Maricá, a qual menciona o fato de haver mais ignorantes do que sabedores se não houver crença na ciência, e demonstra a responsabilidade do Governo pelos altos índices de emigrações.

Outrossim, as preocupações pessoais não deixam de ter forte influência. O medo do desemprego e a possível perda de bolsa são tópicos extremamente relevantes, visto que, de acordo com a BBC, a CNPq anunciou, em 2019, que haveria riscos de não financiar 80 mil bolsas de estudos. Além disso, oportunidades de salários maiores são muito chamativas, assim como ocorre na série “Elite”, a qual a personagem Nádia sai de seu país para trabalhar em uma instituição em Londres que fornece melhores condições. Conforme a Receita Federal, somente em 2018, 23.271 pesquisadores foram para o exterior, ou seja, mais de 23 mil novas oportunidades de projetos revolucionários para a Nação.

Diante desse cenário, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Dessa maneira, o Governo Federal deve aumentar os impostos de grandes empresas para que, com essa renda, seja possível bancar todo investimento necessário na área da ciência, o que gera credibilidade aos estudantes, a qual pode ser intensificada por meio de campanhas que incentivem as pesquisas, por meio das mídias digitais. Ademais, o Governo deve exigir que a CAPES e a CNPq sejam administradas por pesquisadores, assim valorizando as bolsas oferecidas. Juntamente das medidas, o Ministério da Educação deve instigar os estudantes a produzir protótipos com direito à recompensas.  Consequentemente, mais brasileiros optarão por permanecerem.