Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 11/05/2020

A Revolução Industrial do século XVIII colocou em questão a relação intrínseca entre o desenvolvimento econômico e a inovação tecnológica. Essa relação permanece até hoje entre as diferentes sociedades, em um período capitalista que favorece as nações mais inovadoras. Todavia, é notável também a inserção da educação e pesquisa neste meio, que em países como os Estados Unidos, servem de alicerce para a competitividade exportadora mundial. No Brasil, contudo, pesquisadores e intelectuais se encontram em movimento de fuga do país, em função da queda de investimentos para pesquisas e da sustentação de um modelo econômico ultrapassado.

Primeiramente, o corte de investimentos em universidades públicas e em ciência e tecnologia, que segundo a iniciativa Conhecimento Sem Cortes ultrapassara a marca de 10 bilhões de reais desde 2015, contribui para a diáspora de “cérebros” brasileiros. Tal fato decorre do subsequente sucateamento do ensino superior, o que trata de colocar alunos, mestres e doutores sob condições precárias de pesquisa e inviabiliza a produção de conhecimento. Em razão disso, instituições internacionais conseguem apreendê-los com facilidade, levando-os a produzir conhecimento em outras nações.

Ademais, as raízes coloniais brasileiras, que remontam a um país de economia agrária, favorecem a desvalorização da  pesquisa científica. Isso é observado desde o início da república brasileira, onde os interesses de cafeicultores e outros grandes latifundiários dificultaram o desenvolvimento da indústria, a qual depende da inovação tecnológica. Desse modo, o Estado encontra dificuldades em desvencilhar-se da dependência para com a exportação agrícola e coloca a ciência, como consequência disto, em segundo plano. Assim, o Brasil foge do princípio proposto pelo Empirista Francis Bacon, no qual a ciência deve ser valorizada como um importante instrumento de promoção da evolução da sociedade.

Diante disso, depreende-se a necessidade de realizar medidas que visem a valorização da pesquisa científica, o que deverá ser realizado mediante diferentes medidas. Ao Ministério da Economia, compete a concessão de incentivos fiscais e subsídios às empresas nacionais de tecnologia que apadrinharem pesquisadores, com o intuito de criar um ambiente solícito a estes e ao desenvolvimento nacional. À Sociedade Civil Organizada, cabe a conscientização da população acerca da importância da ciência e do voto em representantes políticos que a defendam, por meio da realização palestras em espaços midiáticos. Assim, cientistas brasileiros encontrarão respaldo suficiente nas políticas públicas e estarão compelidos a integrar o corpo científico nacional.