Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 10/05/2020

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando a ciência e a razão são valorizados. Entretanto, quando se observa a evasão de profissionais qualificados do Brasil, atualmente, verifica-se que o ideal iluminista é constatado na teoria e não na prática, seja pela ausência de incentivo público, seja pela falta de apoio privado. Nesse sentido, convém analisarmos as raízes desse problema.

Inicialmente, é importante pontuar que a fuga de mão de obra tão especializada deriva da baixa atuação do estado na criação de mecanismos mitigadores. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável pelo desenvolvimento e bem-estar da sociedade, mas isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de patrocínio governamental das pesquisas, os cientistas estão procurando outros países que respeitam mais seus trabalhos, fenômeno que pode ser comprovado pelo aumento de mais de 100% na taxa de evasão desses profissionais nos últimos 5 anos. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal.

Adicionalmente, cabe ressaltar o viés capitalista extremo das empresas privadas como causa do problema. Segundo o filósofo alemão Marx, as empresas capitalistas priorizam o lucro em detrimento às questões humanas. Analogamente, as universidade particulares no Brasil não têm investido muito em pesquisas relevantes para a sociedade, preferindo projetos que dão retorno financeiro alto e no curto prazo. Isso é comprovado pela grande concentração de pesquisadores nas universidades públicas do país. Logo, esse comportamento nocivo para a sociedade precisa ser revisto.

Portanto, para diminuir a saída de cérebros do país, o MEC, como órgão responsável pela pesquisa no país, deve, por meio de verba do TCU  ou doações empresariais, criar um fundo de apoio à pesquisa, com a participação das grandes universidades do Brasil, para que esses cientistas possam desenvolver seus trabalhos com excelência. Assim, nossa sociedade poderá alcançar, no médio prazo, o ideal iluminista.