Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 17/05/2020

Por volta do século XII a.C., devido à onda de invasões dóricas na Grécia antiga, ocorreu a primeira diáspora, resultando na dispersão de povos gregos pelas bacias do Mar Mediterrâneo. Na atualidade, não são as invasões que causam a mobilidade de profissionais para fora do Brasil. Conceituada como “fuga de cérebros”, ela deve-se à busca de incentivo a pesquisa e oportunidade de encarreiramento no exterior. Fato que exige mobilização da sociedade para corrigir essa indesejável realidade.

Primeiramente, é hora de entender que a mobilidade de profissionais,  em escala mundial, faz parte da vida no século XXI. Com o advento da conectividade digital, o potencial de articulação em redes colaborativas, articuladas entre cérebros fora do Brasil e instituições acadêmicas nativas é inquestionável. Já existe uma rede chamada “supercourse” que conecta mais de 20.000 cientistas em todo o mundo com compartilhamento gratuito de conhecimento. O que falta em nosso país é articulação.

Outro desafio enfrentado pela ‘“fuga de cérebros” em nosso país é superar a deficiência do Estado em disponibilizar oportunidades de pesquisa que poderiam atrair e reter cérebros. De acordo com Xi Jinping (presidente da China), o país se tornou líder em biotecnologia, graças a oferta de educação de alta qualidade e financiamento à pesquisa. A fala do líder chinês mostra que, enquanto o Estado não garantir condições dignas  a  profissionais altamente qualificados, as “fugas” continuarão.

Por tudo isso, para evitar a fuga de cérebros, é preciso que o Ministério da Educação apoie a permanência dos profissionais qualificados junto às universidade e escolas. Isto se faz oferecendo salários dignos e plano de carreira a todos os profissionais da área de educação e pesquisa - do ensino fundamental ao superior. Além disso, deve-se redefinir os critérios para ocupar o cargo de Ministro da Educação, a partir de votação da comunidade acadêmica - buscando uma liderança legítima e competente, que evite novas diásporas e favoreça, com legitimidade, o repatriamento de cérebros e a retenção de talentos das próximas gerações.