Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 10/06/2020

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da fuga de cérebros do Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no país. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também à precariedade infraestrutural do sistema educacional brasileiro.

De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação ao desenvolvimento da ciência no país, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo portal de notícias BBC Brasil, os quais revelam que de 2011 para 2018 ocorreu um aumento de 184% nas migrações de cientistas e doutores do país em busca de melhores condições de trabalho e pesquisa, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as beneficies do engajamento científico sejam colhidas nas diversas camadas sociais.

Outrossim, o baixo grau de incentivação ao desenvolvimento da ciência e à pesquisa científica contribui para a acentuação da problemática. Ocupando a sétima posição no ranking de economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nas mais variadas adversidades perpetradas e difundias nos centros educacionais, questões como a metodologia de ensino obsoleta, a falta de infraestrutura e incentivo à ciência ilustram o triste cenário da educação no país. Diante disso, medidas devem ser adotadas com o intuito de reverter essa realidade.

Logo, para que o triunfo sobre a fuga de cérebros no Brasil seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova uma reestruturação no sistema educacional brasileiro, de modo que os novos pilares do ensino sejam compostos pelo estímulo ao fazer ciência e ao desenvolvimento da mesma. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a formulação de disciplinas voltadas a essa esfera de conhecimento. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados nas universidades, com o fito de gerar infraestrutura e dar espaço aos pesquisadores e cientistas brasileiros. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.