Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 20/09/2020
A ideia de que o homem é soberano sobre seu próprio corpo e mente, proferida pelo filósofo John Stuart Mill, transmite uma ideia equivocada sobre o atual cenário psíquico da população brasileira. Sabe-se, entretanto, que os transtornos psicológicos, a exemplo da ansiedade, estão cada vez mais presentes na vida dos indivíduos, ainda que como uma “epidemia silenciosa”, devido ao grande tabu em conversar sobre. Nesse sentido, faz-se necessária uma abordagem criteriosa do tema, a fim de solucioná-lo.
Em um primeiro momento, é possível correlacionar o aumento dos casos de ansiedade com a atual Era Contemporânea, em que a constante auto cobrança para seguir um ideal de predileção a ser alcançado, somada ao medo da frustração e da incógnita que é o futuro, acaba por projetar a ansiedade, um transtorno psíquico que, como tal, foge do controle do indivíduo, afetando negativamente suas atividades corriqueiras. Nessa intempérie, surge o paradoxo que é essa desordem: o ansioso passa a lutar contra si mesmo para aniquilar os pensamentos que causam a ansiedade, a fim de poder continuar sua busca em torno desse ideal que o adoece. E, diante disso, a Organização Mundial da Saúde destacou, em 2017, que o Brasil é o país com maior número de ansiosos do mundo, corroborando a grande presença dessa doença na vida da população.
Por outro lado, a diminuta busca por ajuda acaba por expandir ainda mais o número de ansiosos. Nesse ínterim, a frase “não há nada mais difícil do que tomar a frente por uma mudança”, proferida por Maquiavel, reflete a situação que muitos dos ansiosos passam- a dificuldade de enfrentar os preconceitos e tabus para admitir que precisa de ajuda. Preconceito pois, uma grande parcela da sociedade acredita que os problema psicológicos são falta de ir à igreja ou, simplesmente, drama. Ademais, os que sofrem desse mal, por vezes, acreditam que podem curar-se sozinhos, negando a si mesmos seu quadro clínico, o que acarreta em um número cada vez mais exponencial desses. Diante do exposto, conclui-se que urge a necessidade do Ministério da Saúde disponibilizar, mensalmente, psicólogos e neurologistas nas escolas e faculdades, a fim de tornar mais acessível o atendimento a quem está mais vulnerável. Somado a isso, as propagandas comerciais na televisão, cumprindo com seu papel social, deverão encorajar as pessoas a procurarem ajuda, desmistificando os tabus acerca do assunto. Dessa forma, tratando das causas e consequências da ansiedade, pode ser que, de fato, o homem seja soberano sobre seu próprio corpo e mente.