Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 19/09/2020

Na obra literária “História da Loucura”, Foucault constrói uma genealogia do modo como a sociedade abordou a questão da loucura como fator cultural e conforme ela se alterou ao longo do tempo. Nos dias atuais, sob tal ótica, percebe-se a loucura associada à qualquer tipo de doença mental, o que generaliza e diminui a importância em relação aos empecilhos da ansiedade no contexto efetivo. No entanto, essa problemática tem como bases a letárgica atuação estatal, bem como a passividade social. Logo, é imperioso buscar ações para esse cenário hodierno.

Em primeiro plano, historicamente, o Poder Público brasileiro não investe de maneira efetiva para resolver esse impasse. Assim, Zygmunt Bauman — sociólogo polonês — retrata na sua obra “Retrotopia ”, que o Estado, de forma intencional, é o principal causador de impetuosidades, visto que não fornece Políticas Públicas distributivas, conjunto de ações para reverter, atenuar e prevenir problemas sociais, tal como há a ausência de infraestrutura física e funcional(psicólogos e unidades de atendimento) que possam acolher pessoas que sofrem de ansiedade e escassez da  integralidade do SUS. Sob esse viés, por consequência, há a transgressão da Carta Magna, visto que não oportuniza direito à saúde, inviabiliza-se a ação integral de tal mecanismo jurídico. Diante do exposto, exemplifica bem dados da Organização Pan-Americana de Saúde que  países de baixa renda a taxa de trabalhadores de saúde mental é decadente, uma vez que a estimativa é que uma em cada 10 pessoas precisa de cuidados de saúde mental em algum momento da vida.

Em segundo plano, a passividade da teia social é agente catalisador dessa questão. Nesse âmbito, o livro “Incidente em Antares”, do autor Érico Veríssimo, expõe a sociedade análoga ao fruto do individualismo como causa de problemas grupais, na qual a invisibilidade é promovida pela dificuldade de lidar com as frustrações; uso excessivo e comparativo das mídias digitais e enfraquecimento dos laços afetivos presenciais. Nesse viés, por conseguinte, gera-se um círculo vicioso, uma vez que esse comportamento tende a ser incorporado devido à vivência em grupo. Esse panorama, é retratado na série “This is Us” onde a crise de ansiedade é  vivenciada por uns dos personagem e a importância do suporte familiar e o caminho para o tratamento.

Diante do supracitado, urge a necessidade de medidas para remodelar os fatores políticos e sociais. Em suma o Poder Executivo, sobretudo na voz do Ministério da Saúde , deve fornecer  esclarecimento sobre o assunto, de forma acessível, na grande mídia e na comunidade escolar e investir em profissionais especialistas em ansiedade, por meio de alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias, a fim de mostrar que ansiedade não é  “frescura” e quebrar tabus.