Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 16/09/2020

O poeta Carlos Drummond de Andrade metaforizou, em seu poema “No meio do caminho”, a ideia de empecilhos a serem superados, que os indivíduos encontrarão durante a vida. Sob tal ângulo, observa-se que o transtorno de ansiedade na sociedade contemporânea, configura-se como um obstáculo na vida de muitos brasileiros. Esse cenário nefasto ocorre em virtude da insuficiência legislativa ligada a políticas públicas de saúde e da falta de visibilidade do tema pela mídia nacional. Desse modo, urge a necessidade de medidas que visam mitigar essa conjuntura no país.

Em primeiro lugar, convém mencionar a insuficiência estatal referente a saúde pública brasileira, principalmente a de caráter psicológico. Em relação a isso, o termo “ausente contumaz”, elaborado pelo ex-presidente Washington Luís, norteia a falta de participação concreta e eficaz dos órgãos oficiais, em grande parte, com assuntos de aspectos de bem-estar sociais, como visto nos vários desafios de combate à ansiedade no país. Essa ação negligente do Estado pode ser ratificada com o atual crescimento de número de casos de transtorno de ansiedade e derivados da ansiedade no Brasil. Isso ocorre devido a diversos problemas do país que estão amostra no dia a dia dos cidadãos, como a crise política, problemas na segurança pública, no SUS e atual pandemia que veio para fez aumentar o estresse e a angústia nas pessoas. Logo, esse descaço governamental acarreta no aumento do male do transtorno de ansiedade e TOCs, o que pode compreender a dificuldade para seu enfrentamento.

Em segundo lugar, é válido salientar a falta de visibilidade do tema pelos mídia. Nesse sentido, o linguista Noam Chomsky aponta os meios de comunicação como agentes com capacidade de silenciar, muitas vezes, determinados assuntos, como a transitoriedade mental. Essa ocultação do problema por parte da imprensa colabora com seu agravamento no país, já que a carência de seriedade da temática contribui para o esquecimento desse percalço na sociedade brasileira. Portanto, o não protagonismo da problemática, a qual precisa ser abordada com relevância pelos veículos de comunicação, a fim de que se minimizem os impactos relacionados a ela, como o volumoso número de pessoas tomando remédios de tarja preta, tornem-se excluídos das prioridades a serem selecionados no Brasil.

Torna-se evidente, portanto, que a questão se mostra uma “pedra” a ser removida do caminho para o desenvolvimento de uma melhor saúde psíquica dos residentes do país. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde investir em campanhas de combate a ansiedade nas cidades brasileiras, colocando a disposição psicólogos e psiquiatras. Essa ação tem como objetivo disseminar diagnósticos e informações verídicas sobre o tema. Isso pode ser feito com destinação de mais verbas para o SUS. Dessa forma, o Estado garantirá um melhor debate sobre saúde mental, em grande parte, de forma eficaz aos brasileiros.