Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 15/09/2020
Na obra “O Senhor das Moscas”, do escritor e dramaturgo inglês William Golding, é retratada uma sociedade distópica, marcada por conflitos constantes, necessidade de organização para o convívio social e a própria natureza humana, que ainda é selvagem, instintiva diante da guerra pela sobrevivência e, às vezes, imprevisível. Fora da ficção, no entanto, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere aos desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea. Tendo isso em vista, faz-se profícuo analisar a complacência social e a negligência governamental como pilares do problema a fim de possa liquidá-los e unir progresso ao desenvolvimento social. A priori, é imperioso destacar a complacência do corpo social como um dos fatores contribuintes para a perpetuação do problema. Sob a ótica da filósofa contemporânea, Hannah Arendt, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, tal realidade se faz presente em uma conjuntura marcada pela “banalização do mal”, na qual o indivíduo, ora por falta de criticidade, ora por falta de conhecimento, torna-se incapaz de julgar atos imorais ou prejudiciais à condição humana. Percebe-se, assim, que o conceito abordado se materializa em apontamentos da Organização Mundial da Saúde, os quais afirmam que 9,3% da população brasileira, ou 18,6 milhões de pessoas, convive com o transtorno, o que classifica o país como o mais ansioso do mundo. Dessa feita, a sociedade acaba por banalizar a gravidade da questão e se torna complacente à mesma, desconhecendo ou negando os males. Outrossim, é imperioso pontuar a negligência do Estado como um obstáculo para a redução da problemática. Dessa forma, a redução de casos envolvendo a ansiedade é comprometida pelos baixos investimentos governamentais, seja para a capacitação profissional, seja para tratamento dos afetados. Em decorrência disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 68% dos diagnosticados com o transtorno não receberam atendimento ou receberam com baixa qualidade. Ora, se um governo se omite de uma questão tão importante, entende-se, desse modo, o porquê da sua continuação. Logo, faz-se necessária a reformulação dessa postura estatal urgentemente. Diante desse panorama, é mister que o corpo social, em sua totalidade, tome providências para otimizar o quadro atual. Para tanto, cabe às instituições de ensino, com proatividade, o papel de deliberar acerca da questão e como enfrentá-la, mediante exemplos estatísticos, filmes, projetos, workshops, obras literárias, palestras elucidativas e depoimentos de pessoas envolvidas com o tema, para que a sociedade civil, com conhecimento e criticidade, não seja complacente com a “banalização do mal” e entendam a real gravidade do problema. Ademais, ativistas políticos, por cobrarem o cumprimento de serviços públicos, devem realizar reuniões e parcerias com os representantes do Ministério da Saúde e da Economia, com o fito de pressionar os demiurgos indiferentes à problemática e incentivá-los a destinar maiores investimentos à capacitação profissional e ao tratamento de qualidade, objetivando, dessa forma, a redução dos casos envolvendo o transtorno citado. Posto isso, será possível combater a ansiedade na sociedade contemporânea e criar um país de que Golding pudesse se orgulhar.