Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 08/09/2020
Apesar das crises sociais, comuns ao Brasil, maximizarem os casos de ansiedade, o sociólogo francês Gilles Lipovetsky defende que é na chamada “Sociedade do Hiperconsumo” a origem desse mal. De fato, o sistema capitalista tem moldado os indivíduos de tal forma que consumir além das necessidades passou a ser imprescindível à felicidade. Todavia, esse estilo de vida inalcançável e padronizado midiaticamente gera problemas psicossociais como a ansiedade, a qual tornou-se um desafio combatê-la.
É imperativo, a priori, salientar a dificuldade de combater a ansiedade no modelo socioeconômico atual. Sem dúvida, Gilles afirma que as pessoas passaram a consumir para satisfazerem desejos, preencherem vazios existenciais e que, diante disso, a publicidade tornou-se cada vez mais personalizada, buscando, por meio das redes sociais, alvos e necessidades específicas. Dessa forma, imersos nesse estilo de vida líquida, a qual, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, os indivíduos vivem insatisfeitos, buscando atingir os padrões de consumo, que surgem os crescentes casos de ansiedade e depressão.
Diante desse panorama, é óbvio que os caminhos para enfrentar a ansiedade no brasil passa pela mudança de mentalidade. Com efeito, mudar a cultura da sociedade do hiperconsumo, por meio da conscientização, família e ajuda médica é fundamental. Além disso, a publicidade na lógica atual tem que ser combatida, pois ela distorce as necessidades reais humanas exemplificadas no documentário “Minimalismo”, o qual mostra que a felicidade está nas coisas simples, cuidado com a saúde e satisfações básicas- alimentação, moradia, segurança. Logo, minimizar a ansiedade exige a despoluição das propagandas, que estão em todos os lugares, aprender a lidar com crises, a priorizar à saúde, o lazer e, sobretudo, à educação.
Torna-se indispensável, portanto, combater a cultura consumista para enfrentar a ansiedade no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação investir, junto às escolas, na criação de um Projeto Político Pedagógico o qual inclua no calendário palestras e aulas com a finalidade de discutir os impactos do consumo exagerado na saúde humana e ambiental, da importância da família nesse processo e da capacitação crítica diante da publicidade apelativa. Destarte, será possível minimizar os efeitos do capitalismo na mente humana.