Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 06/09/2020

Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, afirma que a sociedade contemporânea caracteriza-se pela busca frenética da autoperformance, o que impacta na saúde mental dos indivíduos. Nesse cenário de grande cobrança individual, observa-se o crescimento da ansiedade no Brasil, reflexo da frequente desorientação emocional da população, bem como do tabu histórico dos transtornos psíquicos no país. Essa conjuntura é um desafio que traz sérias consequências para saúde dos brasileiros.

Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo, nas escolas e nas mídias, sobre os malefícios da cultura de alto desempenho esteja entre as causas dessa preocupante realidade.  De acordo com a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, a elevada cobrança social amplia as taxas de transtornos mentais na população. Nesse contexto, o limitado debate, nas instituições de ensino e nos programas televisivos, quanto aos danos da procura excessiva de resultados de excelência no trabalho, nos estudos e na vida social - fenômeno criticado Han - contribui para a desorientação emocional da população brasileira. Como resultado, forma-se um corpo social ansioso que pouco sabe lidar com as frustrações e com os estresses do cotidiano, apresentando altos índice de irritabilidade e de insônia, sintomas típicos da ansiedade, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Outrossim, o tabu dos transtornos mentais no país agrava esse quadro. Nesse sentido, Michael Foucault, filósofo francês, em seu livro “A História da Loucura” revela que, ao longo da história, os considerados loucos foram excluídos do convívio social. Hodiernamente, no Brasil, a cosmovisão equivocada de “falta de fé” e de “frescura” atribuída às patologias psiquiátricas, como a ansiedade, ainda está presente na população, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE. Essa inaceitável realidade amplia o alijamento social dos doentes - vistos, frequentemente, como “fracos”, incapazes de adaptar-se às exigências sociais, em especial no mercado de trabalho - como também dificulta a sua buscar por tratamento médico, devido à não aceitação da doença.

Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que combatam a ansiedade no país. Destarte, o Ministério da Educação e o da Saúde devem ampliar o número de espaços de diálogo sobre a cultura de autoperformance, por meio de uma campanha nacional de enfrentamento da ansiedade com campanhas televisivas, rodas de conversas e oficinas realizadas por sociólogos e profissionais de saúde nas escolas, a fim de orientar emocionalmente a população. Por fim, a sociedade civil organizada deve, mediante campanhas publicitárias nas redes sociais, esclarecer a sociedade quanto ao caráter de saúde da ansiedade para reduzir o seu tabu no país.