Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 06/09/2020
Segundo o sociólogo francês Gilles Lipovetsky, vive-se a chamada “Sociedade do Hiperconsumo”. De fato, o sistema capitalista moldou os indivíduos de tal forma que consumir além das necessidades passou a ser uma forma de inclusão social e imprescindível à felicidade. Todavia, esse estilo de vida insaciável e inalcançável gera problemas psicossociais- maximizados pelas crises e falta de estrutura familiar- como a ansiedade, na qual tornou-se um desafio combatê-la.
É evidente, a priori, salientar a dificuldade de combater a ansiedade no modelo socioeconômico atual. Sem dúvida, Gilles afirma que as pessoas passaram a consumir para satisfazerem desejos, preencherem vazios existenciais e que, diante disso, a publicidade tornou-se cada vez mais personalizada buscando, por meio das redes sociais, alvos e necessidades específicas. Dessa forma, imersos nesse estilo de vida líquida, na qual, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, os indivíduos vivem insatisfeitos por buscarem inalcançáveis padrões de consumo, resultou em um aumento de casos de ansiedade e depressão.
Diante desse panorama, vale acrescentar que os desafios para enfrentar a ansiedade passa pela mudança de mentalidade. Com efeito, mudar a cultura da sociedade do hiperconsumo, por meio da conscientização, família e ajuda médica é fundamental. Além disso, a publicidade na lógica atual tem que ser combatida, pois ela distorce as necessidades reais humanas exemplificadas no documentário “Minimalismo”, no qual mostra que a felicidade está nas coisas simples, cuidado com a saúde e satisfação das necessidades básicas. Logo, minimizar a ansiedade exige a despoluição das propagandas, que estão em todos os lugares, a priorização da saúde, do lazer e, sobretudo, educação. Torna-se necessário, portanto, combater a cultura consumista para enfrentar a ansiedade. Para isso, cabe ao Ministério da Educação investir, junto as escolas, na criação de um Projeto Político Pedagógico no qual inclua no calendário escolar palestras e aulas com a finalidade de discutir os impactos do consumo exagerado na saúde humana e ambiental, da importância da família nesse processo e da capacitação crítica diante da publicidade apelativa. Destarte, será possível minimizar os efeitos do capitalismo predatório.