Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 05/07/2020
Consoante o poeta Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”, a alarmante epidemia de ansiedade que atinge a sociedade brasileira não é um problema atual. Desde a década de 1930, com a intensificação do processo de urbanização e as cargas excessivas de trabalho nas indústrias, o estresse tem levado muitos a desenvolverem esse tipo de transtorno. De mesmo modo, na atualidade, as dificuldades persistem, sendo necessário analisar os elementos causadores e as consequências desse problema.
Deve-se pontuar, de início, que o crescente número de pessoas portadoras de distúrbios de ansiedade deriva, em parte, da escassa atuação dos órgãos competentes para com a fiscalização das relações trabalhistas. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Considerando o alto poder de pressão que relações profissionais desequilibradas exercem sobre a mente humana, tal inércia estatal permite abusos por parte dos empregadores, tanto na extrapolação das cargas horárias legais como no constante assédio moral, causando transtornos psicológicos nos trabalhadores, que, por sua vez, podem levar a graves casos de depressão e, até mesmo, ao suicídio.
Ademais, faz-se mister ressaltar a falta de conscientização da população acerca da identificação e compreensão dos distúrbios relacionados à ansiedade, como um promotor do problema. Conforme o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é um corpo que, para funcionar, é necessário que todos os órgãos estejam em plena adequação. Tal afirmação evidencia que a ausência de coordenação entre os setores da saúde e da educação, na orientação dos jovens para com o reconhecimento e prevenção desses distúrbios psicológicos, contribui para a perpetuação desse quadro deletério. Com isso, o preconceito e a ausência de acompanhamento médico impedem um tratamento adequado na grande maioria dos casos, reduzindo as possibilidades de cura.
Dessarte, a fim de mitigar as barreiras que impedem um efetivo combate à ansiedade na sociedade brasileira, necessita-se que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Estaduais de Saúde, desenvolva ações de conscientização por meio de palestras nas escolas e campanhas nas redes sociais, visando à orientação da população acerca das causas e sintomas desse tipo de transtorno. Somente assim, será possível aumentar as chances de um tratamento eficaz e superar esse mal que assola o país.