Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 04/07/2020
O capitalismo, surgido no no século XV, caracteriza-se por ser um sistema econômico e social baseado na acumulação de capital. No cenário hodierno, esse modelo hegemônico é responsável por estimular uma competitividade maléfica. Tendo isso em vista, as pessoas são suscetíveis a desenvolver o transtorno de ansiedade, que, aliado à falta de intervenção adequada, resulta em uma péssima qualidade de vida. Diante disso, a exigência de uma máxima produtividade e a ineficácia governamental constituem fatores que colaboram para persistência da problemática.
É importante destacar, em um primeiro plano, a busca incessante por um desempenho superior. O documentário “Take your pills” retrata a relação dos jovens com os medicamentos psicoestimulantes, utilizados para obter uma performance melhor nos estudos e no trabalho. Sob essa ótica, constata-se que a intensa cobrança externa faz com que alguns indivíduos busquem alternativas nos fármacos, desencadeando um ciclo contraditório de dependência e insatisfação, haja vista que as pílulas cumprem a função esperada mas o resultado alcançado nunca é suficiente. Desse modo, esses jovens são submetidos, constantemente, a situações de tensão e nervosismo - sintomas de pessoas ansiosas -, interferindo em suas relações sociais.
Ademais, vale ressaltar a atuação negligente das autoridades na saúde pública. No filme “Coringa”, o protagonista Arthur Fleck apresenta, desde o início da trama, atitudes que demonstram a fragilidade de sua saúde mental, caso que se agrava com a retirada das sessões de terapia e dos remédios fornecidos de forma gratuita. Nesse sentido, nota-se que a insuficiência de investimento na saúde impossibilita o acompanhamento periódico de pacientes que são diagnosticados com transtornos psicológicos, como a ansiedade, gerando um retrocesso no tratamento. Dessa maneira, essa parcela vulnerável não tem acesso a recursos que são primordiais para viver plenamente, realidade que contraria o que é assegurado na Constituição Federal de 1988, uma vez que nela é atribuído ao Estado a obrigação de propiciar e garantir o bem-estar dos brasileiros.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de minimizar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de ampliar o oferecimento de assistência psicológica pública, o Ministério da Saúde deve, por meio de verbas governamentais, expandir a infraestrutura e a equipe de profissionais dos setores voltados ao tratamento de distúrbios mentais. Tal ação será realizada após um levantamento da procura por esses serviços nos hospitais públicos de cada estado, para que as unidades nas quais a demanda foi mais elevada sejam alvo de maiores investimentos. Assim, a população estará apta - psicologicamente - para lidar com as adversidades do mundo contemporâneo.