Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 27/06/2020

Na obra Útopia, do escritor Thomas More, encontra-se o detalhamento de uma ilha, constituída por cinquenta e quatro cidades, que funcionava de forma perfeita e, assim, os utopianos, como eram chamados os habitantes desse local, desfrutavam de uma felicidade permanente. No entanto, a realidade não dialoga com essa civilização ilustrada por More, tanto que, nota-se, atualmente, o aumento da ansiedade no tecido social, o que a faz emergir como a doença do século. Isso não é só fruto da ação da mídia, mas também é decorrente da indiferente das escolas diante dos problemas existentes em suas intituições.

Em primeiro lugar, é inegável observar que o aumento da ansiedade na sociedade está condicionado a influência que a mídia exerce no comportamento social. Sob tal prisma, a escola de Frankurt- cientistas e filósofos do século XX- já afirmava, sobre como os meios de comunicação são ferramentas de alienação social. Prova disso, percebe-se, na contemporaneidade, como a população está imposta a dominação desses meios, os quais exercem, mediante a comerciais e a propagandas, a necessidade do indivíduo de se adequar ao padrão de beleza e a uma postura consumista. Dessa forma, nota-se um contexto que propícia sentimentos ansiosos no ser humano, nessa busca para moldar-se ao que a impressa dita.

Ademais, a postura indiferente do sistema educacional diante dos problemas presentes em suas instituições, revela-se como outro fator que desencadeia essa doença. Isso é vislumbrado, pelo quadro de permanência dos casos de bullying nesse local, os quais, segundo o jornal científico Molecular Psychiatry, estão diretamente ligado ao desenvolvimento do Transtorno da Ansiedade Generalizada (TAG). Consoante a isso, o ambiente que deveria coibir a doença do século, dado que, conforme o educador Paulo Freire- a educação tem o potencial de transformar as pessoas e, assim, de mudar a sociedade- na verdade,  tornou-se um dos lugares que fomenta esse mal.

Logo, é mister que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, mediante a repasse de verbas governamentais, desenvolver políticas públicas, a fim de coibir a ansiedade na sociedade contemporânea. Nesse viés, é necessário que esses programas sejam elaborados da seguinte forma: palestras, realizadas nas escolas por sociólogos, mediante a utilização de obras literárias, que expliquem aos estudantes a manipulação da mídia; criar salas de combate ao bullying as vítimas e os agressores, com o acompanhamento de psicólogos especializados nessa área. Em vista disso, a sociedade conseguir-se-á reverbara os utopianos.