Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 21/06/2020

‘‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’’. Nesse verso do poeta Carlos Drummond, publicado na “Revista de Antropofagia” em 1928, é presente uma metáfora para desafios. À luz disso, concomitantemente a essa citação, é certo que há um obstáculo notório na sociedade contemporânea: os empecilhos ligados ao combate da ansiedade, que não só ocorrem pelo modo indevido de se discutir essa condição, mas também por ser constantemente alimentados pelo cenário virtual e globalizado.

Antes de tudo, as doenças psíquicas que acometem a humanidade, por contexto histórico, ainda são dotadas de um certo preconceito no tocante à liberdade para se debate-las. Assim sendo, de acordo com o sociólogo Karl Marx, em seu livro ‘‘A Ideologia Alemã", a consciência do homem não determina o seu ser social, mas o ser social determina a sua consciência. Desse modo, partindo dessa concepção, o tecido portador de ansiedade encontra, nessa conjuntura, conceitos de marginalização e vive uma “consciência” sem visibilidade, na qual existem poucos incentivos para buscar e ter um tratamento adequado. Logo, percebe-se que é preciso a desconstrução de rotulagens que inferiorizam e descriminam esse estado.

Ademais, é indubitável que outra razão incumbida no desafio de se deter esse problema sanitário é a influência de padrões e comportamentos que as redes digitais projetam nas massas. Com efeito, para o filósofo Guy Debord, em seu livro “A Sociedade do Espetáculo”, a imagem gerada na realidade midiática dita regras e cria uma certa perfeição que induz os indivíduos a reproduzir no cotidiano. Nesse viés, é exercido um conjunto de cobranças que atuam despercebidos na integridade mental do corpo civil, o que gera um acúmulo de imposições a serem exercidas em detrimento da aceitação. Portanto, a manipulação da personalidade pelos veículos informacionais modernos reverbera em uma quebra de bem-estar.

Infere-se, dessarte, a necessidade de romper o ciclo de desinformação e a perturbação que o mundo globalizado pode causar para o crescimento da ansiedade. Em suma, o Governo Federal, em parceria com as entidades de comunicação, deve promover ações de conscientização por intermédio de propagandas de fácil entendimento que abordem conteúdos explicativos sobre a doença, além de destacar a importância de se ter cautela ao consumir o meio virtual, com o intuito de tornar possível uma comunidade mais preparada e prevenida. Somente assim, será possível retirar essa pedra do caminho.