Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 20/06/2020

No livro " O Alienista", Machado de Assis, por meio de suas criticas machadianas, já retratava a necessidade em debater a respeito das psicopatologias. Partindo desse pressuposto, hodiernamente, as doenças psíquicas estão mais presentes entre a população, principalmente, aquelas ligadas ao transtorno de ansiedade. No entanto, alguns paradigmas dificultam o tratamento dessa adversidade, bem como a resistência das pessoas por conta da existência de alguns mitos que permeiam a sociedade. Além disso, a negligência estatal contribui para o retardo no combate a esse distúrbio. Dessa forma, é essencial debater a respeito das dificuldades que favorecem o aumento da ansiedade.

A principio, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas no mundo, equivalente a 18 milhões de pessoas. Nesse sentido, convêm trazer a tona a resistência  dos indivíduos que apresentam essa psicopatologia, visto que isso atua como catalizador no aumento da taxa de pessoas afetadas. É notório que mitos ligados a dependência de remédios ou mudanças mentais e comportamentais ainda se fazem presentes no atual cenário, dado que a falta de informações precisas corrobora esse tipo de pensamento. Sendo assim, tal fator vai ao encontro a teoria do “organismo social” de Émille Durkheim, pois ele considera  que a sociedade apresenta mecanismos funcionais e pensamentos integrados.

Em segunda instância, desde o iluminismo, compreendeu-se que o progresso é alcançado quando há mobilização coletiva. No entanto, diante da realidade supracitada em relação ao crescimento dos casos de ansiedade, convêm destacar a ausência de intervenção governamental. É notório que as políticas públicas destinadas à melhoria dessa questão ainda são escassas, bem como a falta de iniciativas dos  ministérios responsáveis, além da concepção retrógrada de agentes que não considera esse distúrbio um problema  em comparação com as diversas patologias presentes entre os brasileiros. Com isso, atitudes são necessárias a fim de mudar esse cenário, pois, segundo Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por promover estabilidade e segurança a população.

Torna-se evidente, portanto, que é necessária uma rede articulada de serviços e programas com efetivas estratégias. A priori, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pela promoção da saúde pública nacional, em parceria com as escolas, elaborar projetos nas salas que foquem no debate sobre ansiedade, por meio da criação de seminários e palestras com profissionais que possam discutir sobre a importância e benefícios de cuidar da mente, seja através da administração ou não de remédios, com o intuito de quebrar esse paradigma e reduzir a resistência de alguns indivíduos. Ademais, é essencial a criação de espaços de terapias com atividades dinâmicas que diminuem os reflexos da ansiedade.