Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 20/06/2020

A animação “Divertida Mente”, cujo enredo se baseia na história da garota Riley, retrata a mudança de humor durante a adolescência. Após se mudar de cidade, a personagem sofre um grande impacto em seu cotidiano e se demonstra insegura e aflita, gerando mudanças em seu comportamento. Fora da ficção, nota-se também que esse problema está presente na hodierna sociedade brasileira. Nesse sentido, pode-se destacar dois aspectos como causa do empecilho: a sobrecarga de informação e a busca por um estilo de vida inalcançável.

Em primeiro plano, com a popularização da internet no século XX, houve a possibilidade de armazenar e acessar fontes de conhecimento mais facilmente. No entanto, apesar desse período ser um marco da evolução humana, ele também foi um agravante para doenças como a ansiedade, pois a velocidade em que se completa uma pesquisa se tornou instantânea. Ademais, esse fato é análogo à ideia da Cultura do Imediatismo por Rushkoff, a qual diz que a massificação dos meios eletrônicos de comunicação foi responsável pela desesperança, uma vez que o indivíduo vê o passado como imutável e o futuro como incerto.

Por conseguinte, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, atualmente vive-se uma modernidade líquida, em que as pessoas não são mais julgadas por seu caráter e capacidade, mas sim por seus pertences materiais. Sob esse prisma, os jovens começam a seguir padrões em busca de uma vida perfeita e quando notam que ela é impossível, se frustram. Outrossim, essa situação foi retratada em um episódio da série televisiva “Black Mirror”, em que cada cidadão recebia uma nota com base nas avaliações dos outros usuários. Sob esse viés, a protagonista adaptou suas atitudes para receber uma boa classificação, porém, frente à constate desaprovação, torna-se agressiva e se rebela.

Portanto, urge que o poder-público aja para evitar as dificuldades demonstradas em “Divertida Mente”. Para isso, cabe ao Ministério da Comunicação, juntamente ao Estatuto da Criança e do Adolescente, a veiculação de propagandas, por meio das redes sociais, que incentivem cada sujeito a ter um modo de viver único, contratando pessoas com pensamentos e atitudes diversas para discorrer sobre o assunto, a fim de garantir o fim da autocobrança. Assim, haverá uma sociedade menos individual e a qualidade de vida será melhorada.