Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 20/06/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante uma série de direitos sociais. Entre eles, está assegurado o acesso á saúde, juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar de tal garantia, o que se percebe é a não aplicação desse dispositivo constitucional na prática, visto que as dificuldades no combate à ansiedade na sociedade contemporânea são inúmeros. Nesse preocupante contexto, é importante analisar o problema por um viés social e político.
Antes de tudo, é evidente que o comportamento da sociedade é determinante para a continuidade do problema. Segundo o francês Émile Durkheim o fato social patológico é um modo coletivo de agir e de pensar dotado de generalidade, exterioridade, e coercitividade, que é capaz de influenciar o indivíduo negativamente. Seguindo a linha de raciocínio, percebe-se que a ansiedade na população se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que se um adolescente cresce em uma das milhares de famílias do Brasil – país com maior número de pessoas que sofrem com essa condição psicológica de acordo com a Organização Mundial da Saúde – esse jovem infelizmente tende a adotar o mesmo padrão comportamental que os seus familiares. Assim, pela lógica durkheiminiana, esse transtorno mental é passado de geração em geração, o que perpetua a problemática.
Além disso, outra análise aponta que o descaso dos governantes está relacionado à questão, uma vez que, segundo estudos realizados pela MindMiners, problemas sociais – como a violência – são um dos principais influenciadores da taxa de ansiedade das pessoas. Como explicou Maquiavel, ainda no Renascimento, o principal objetivo dos chefes de Estado é manter-se no poder. De maneira análoga, observa-se que apesar dos elevados níveis de violência no Brasil – haja visto que de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mais de sessenta mil pessoas foram vítimas de homicídio em 2016 – não é feito nenhum esforço por parte do Poder Público para reverter essa situação. Isso ocorre porque investir no combate à violência com a finalidade de diminuir os níveis de estresse e ansiedade não acarretam em benefícios eleitoreiros claros, uma vez que os resultados não são percebidos em curto periodo de tempo. O diagnóstico maquiaveliano, assim, continua atual: para permanecer no poder, tudo é permitido, mesmo que contrarie os interesses da sociedade.
Torna-se evidente, portanto, que o assunto é grave e não pode ser ignorado. Para mudar esse quadro, além de a Mídia alertar a população acerca dos efeitos da ansiedade, com o objetivo de romper com perpetuação desse comportamento social patológico, a sociedade deve cobrar do Poder Público ações para diminuir os níveis de estresse, por meio de pressão popular. Isso pode ocorrer, por exemplo, com protestos pacíficos, a fim de que o artigo seis da Constituição seja cumprido efetivamente.