Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 19/06/2020
Apesar de invisível, o transtorno de ansiedade é um quadro clínico psicológico real que afeta a vida de milhões de brasileiros todos os dias. Tal fato pode ser comprovado por dados da OMS que indicam que cerca de 10% da população brasileira sofre com algum tipo dessa doença, totalizando em torno de 19 milhões de afetados. Devido a isso, muitos a banalizam, não lhe dando seriedade necessária para combatê-la, o que por sua vez leva a uma taxa de tratamento pequena e preocupante. Assim sendo, são necessárias políticas públicas em prol de solucionar essa crise de saúde.
Em primeira instância, deve-se analisar o porquê de se haver tantos casos clínicos de ansiedade no Brasil. Tratando desse tópico, dados da Universidade de Harvard indicam que transtornos psicológicos se manifestam mais comumente em indivíduos cujos pais tendem a ser ausentes. Esse fato, infelizmente, é muito comum no Brasil, sendo que de acordo com dados do IBGE, cerca de 100 mil jovens vivem sem a presença de um dos pais apenas no estado de São Paulo. Ademais, devido à grave situação financeira de muitas famílias, diversos pais trabalham durante todo o dia para conseguir sustentar suas residências, se ausentando do ambiente domiciliar.
Em segunda instância, a falta de tratamento adequado da ansiedade deve ser considerada. Relacionando-se a isso, uma pesquisa realizada pela USP indica que em 95% dos casos, os sintomas da ansiedade podem ser identificados já na infância e, se tratados corretamente, aumentam em ate 86% a taxa de sucesso no tratamento. Entretanto, poucas escolas brasileiras possuem psicólogos infantis disponíveis a seus alunos, fazendo com que o diagnóstico de tal condição não seja feito com antecedência., podendo nunca ser feito e tratado.
Em suma, conclui-se que a “doença do século” como é chamada por diversos especialistas, trata-se de uma questão não apenas de saúde pública, mas também de uma questão social. Devido a isso, com o intuito de solucionar essa crise, o Governo Federal, por meio de uma ação conjunta entre os Ministérios da Saúde e Educação, deve disponibilizar psicólogos preparados para lidar com os jovens e identificar quaisquer transtornos em ordem a trata-los adequadamente. Com isso, diagnósticos serão feitos ainda na infância, possibilitando uma melhora na qualidade de vida dos pacientes excepcional.