Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 19/06/2020
Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano contemporâneo, elabora a teoria da Sociedade do Cansaço, a qual propõe que o super desempenho leva à exaustão, causando sintomas de fadiga excessiva, e que precisa ser combatida. Nesse sentido, é possível concluir que os elevados casos de ansiedade no Brasil podem ser relacionados a essa hipótese. Sob esse viés, conclui-se que não só o fato de transtornos serem classificados como tabus como também o acesso desigual a atendimento médico de qualidade representam desafios para o combate à ansiedade na sociedade contemporânea.
De fato, a questão de a sociedade brasileira considerar transtornos como tabus configura um fator impactante no combate à ansiedade. A partir disso, percebe-se que, apesar de a ansiedade ser uma condição médica tratável, grande parte dos cidadãos não concede à doença e às suas consequências grande relevância, podendo até mesmo contribuir para potencializar os efeitos negativos. Não obstante, a psicofobia, isto é, o preconceito contra pessoas com transtornos mentais, também é um fator que distancia ainda mais os brasileiros afetados de conseguirem o tratamento adequado, além de desencadear sentimentos como frustração e solidão.
Ademais, a questão do acesso desigual à saúde de qualidade interfere no processo de mitigar a ansiedade. No que concerne a desigualdade no acesso ao sistema de saúde, Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, afirma que o povo brasileiro dispõe de “Cidadania de Papel”, ou seja, os direitos concedidos pela Constituição de 1988, como o direito à saúde, por exemplo, estão restritos ao documento. Essa hipótese explica o decadente tratamento da ansiedade por parte do Estado. Dessa maneira, é possível depreender que o sucateamento do Sistema Único de Saúde compromete o bem estar dos brasileiros diagnosticados com ansiedade, parcela que compõe cerca de 10% da população total, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Logo, a classificação da ansiedade como tabu e o sucateamento do Sistema Único de Saúde caracterizam desafios no combate a esse transtorno. Portanto, as mídias televisivas, cumprindo sua função social informativa, devem promover a discussão voltada para a desproblematização da ansiedade no Brasil, além de combater a psicofobia. Tal medida deve ser implementada por meio do “merchandising social”, que é a inserção intencional de dados e informações direcionados para uma questão educacional e social nas novelas e minisséries. Além disso, o Ministério da Saúde, cumprindo sua função de zelar pela saúde acessível, deve promover a melhor acessibilidade ao sistema de saúde pública, essa ação deve ser efetivada por meio do redirecionamento de verbas para o SUS. Portanto, ambas as ações devem ser instituídas a fim de que o combate à ansiedade seja efetivo e a teoria de Dimenstein não se concretize.