Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 19/06/2020

Em seu conto “O Alienista”, Machado de Assis, com seu caráter irônico, retrata uma sociedade que sofre com os impactos de uma epidemia caracterizada por diversos distúrbios psicológicos. Nesse contexto, por meio da obra, o autor reflete acerca de complicações sociais ocasionadas, sobretudo, pela dificuldade da preservação da saúde mental na comunidade onde as personagens vivem. Análoga a isso está a situação do Brasil, visto que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sua população é a mais ansiosa do mundo. Dessa maneira, vale salientar que esse problema é, certamente, uma consequência da falta de informação fornecida aos cidadãos somada à ineficácia das medidas de saúde pública oferecidas pelo país.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, no século XX, houve a eclosão da Revolta da Vacina. Decerto, movimento ocorreu, especialmente, devido à carência de conhecimento da população quanto ao método preventivo (a vacina) e seus efeitos positivos para sua saúde. Nessa perspectiva, a realidade do Brasil não é diferente no que diz respeito à saúde mental. Desse mesmo modo, existe, na sociedade, tabus e preconceitos relacionados aos transtornos mentais, que prejudicam a procura dos indivíduos por tratamentos profissionais. A exemplo disso, de acordo com a psicóloga Rosely Sayão, rótulos sociais, como “louco” e “surtado”, fortalecem esteriótipos acerca dos pacientes psiquiátricos.

Além disso, vale ressaltar que as condições de bem-estar oferecidas à população brasileira são ineficientes. Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil investe menos na área da súde do que a média mundial. Sob essa conjuntura, há, nos hospitais, escassez de profissionais qualificados para a prevenção e tratamento de doenças mentais, a exemplo de psicólogos e psiquiatras. Assim, os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) não possuem o apoio necessário à manutenção de sua sanidade psíquica. Como prova disso, consoante a “MindMiners”, a má qualidade dos serviços públicos é um dos principais aspectos que colaboram para a alta taxa de ansiedade na nação.

Em síntese, no Brasil, a desinformação populacional, associada à ineficácia de recursos públicos, contribui para o elevado índice de ansiedade no país. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por intermédio da contratação de indivíduos capacitados, a exemplo de psicólogos e psiquiatras, promover, nas escolas, debates em relação a transtornos mentais, a fim de educar as crianças e mantê-las informadas sobre o tema. Ademais, o Ministério da Saúde (MS) deve, mediante investimento financeiro, assegurar a contratação desses profissionais em estabelecimentos de acesso popular, como hospitais públicos e postos de saúde, com o intuito de garantir ao povo um maior acesso à sanidade. Assim, com essas medidas, espera-se combater o alto nível de ansiedade que persiste na sociedade brasileira.