Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 18/06/2020
“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o desafio do enfrentamento da ansiedade na sociedade contemporânea, que afeta fortemente os brasileiros, sendo esse um problema que está diretamente relacionado à realidade do país, seja pela negligência governamental, seja pela indiferença social.
A princípio é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que buscam tratar as raízes que desencadeiam a ansiedade, tomando atitudes médicas reativas em detrimento as prevenções. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito à saúde para população. De certo, isso pode ser exemplificado nos inúmeros brasileiros que se medicam com antidepressivos receitados por seus médicos, sendo esse um paliativo para o tratamento da doença.
Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, não entende os malefícios de se minimizar doenças psicossomáticas como a ansiedade, e não busca tratamento médico especializado para resolver o problema. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato, pode ser observado na reportagem publicada pelo jornal G1, em 2019, que diz que em 10 anos aumentou em 23% o número de pessoas depressivas no Brasil, reflexo do agravamento da ansiedade.
Diante desse cenário, é mister que o Ministério da Saúde promova práticas públicas de combate especializado aos sintomas da ansiedade, por meio de capacitação de médicos seguindo os protocolos previstos pela Organização Mundial de Saúde - OMS, a fim de diminuir os casos de doentes, sendo isso necessário para proporcionar mais qualidade de vida as pessoas que sofrem com essa enfermidade. Além disso, as instituições educacionais devem promover o debate sobre os malefícios da ansiedade, por meio de campanhas de conscientização veiculadas na TV e internet, para que, gradativamente , esse problema deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.