Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 18/06/2020

Aristóteles, em sua “Ètica a Nicômaco”, retrata a conduta humana como prática constante das virtudes. Para o filósofo grego, o homem é a causa de suas próprias ações e, portanto, sem uma práxis virtuosa não há possibilidade de alcançar-se o bem comum. Ao analisar esse contexto, atrelado à conjuntura atual, nota-se que os pilares da ética e da justiça são corroídos, o que compromete o bem-estar das futuras gerações, tal qual o combate à ansiedade na sociedade contemporânea é um grande desafio a ser resolvido, haja vista o excesso de informações hodiernamente disseminadas, pela mídia, da cultura neoliberal. Dessa forma, cabe ao Estado conter esse impasse.

Em primeira análise, na atual conjuntura, a difusão de discursos acríticos da cultura neoliberal manipula a realidade e constrói uma sociedade padronizada voltada ao interesse imediato. Por meio do dispositivo midiático, são fabricados ideais estéticos e intelectuais atrelados ao consumo e, desse modo, impõe-se à sociedade uma lógica capitalista, o qual afeta o psicológico dos indivíduos - visto que eles não conseguem acompanhar o excesso de informações que são lançados para serem consumidos. Consoante, de acordo com a OMS, o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo. Desta maneira, é indubitável que os rótulos impostos pela cultura capitalista prejudica o combate à ansiedade na sociedade contemporânea. Assim, é necessário que haja a interferência de medidas, por intermédio do Estado para precaver tal impasse, cuja necessidade decorre da ausência de senso ético de parte do corpo social.

Paralelamente, denotam-se consequências negativas no âmbito social, como a “epidemia de diagnóstico” - que consiste na medicalização do comportamento, como, por exemplo, um indivíduo que não consegue terminar uma atividade no tempo proposto pelo capitalismo -, o que resulta, de modo mais amplo, em perda de potencial humano - considerando o fato de que a ansiedade pode piorar e levar à quadros grave de depressão pois, de acordo com a OMS, a depressão é considerada a doença mais incapacitante do mundo. Por conseguinte, a persistência desses aspectos somente faz deteriorar a condição da vida humana plena na direção de um mundo injusto e antiético, contrariando os preceitos de Aristóteles.

Destarte, é imperativa a atuação estatal, a partir de políticas públicas que visem a garantir a ética. Como gestor administrativo, o Estado, deve precaver medidas junto ao Ministério da Saúde e ao Ministério Público- que visem a conter a epidemia de diagnóstico e o excesso de informações- por meio de fiscalização e debates sobre o assunto, a fim de garantir a dignidade humana.