Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 16/06/2020

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde consiste na  ausência de sofrimentos - sejam eles físicos sejam psicológicos. Sob esse viés, pode-se afirmar que tal ideal não é verdadeiro no mundo, uma vez que a ansiedade se tornou uma patologia intrínseca à contemporaneidade. Destarte, é fundamental entender quais são os desafios encontrados no combate a essa doença, a fim de mitigá-los e permitir uma vida plena a todos.

É sabido, antes de tudo, que a dificuldade em lutar contra a ansiedade é explicada pela organização histórica das sociedades. O livro “Alienista”, de Machado de Assis, relata ironicamente como as civilizações foram construídas em cima de preconceitos contra pessoas que possuíam algum distúrbio neurológico. Tal discriminação ultrapassou os séculos e ,ainda hoje,  é possível enxergar indivíduos que ridicularizam ou caçoam de quem tem algum tipo de transtorno. Esse comportamento incivilizado faz com que as pessoas que sofrem com ansiedade tenham medo ou vergonha de procurarem ajuda, uma vez que podem ser taxados de ‘’loucos’’. Diante disso, esse grupo, que é alvo de piada, sofre com a violência simbólica, teoria de Pierre Bourdieu, na qual é alvo de agressão moral e psicológica. Nesse sentido, desconstruir esse pensamento é essencial para efetivar o combate a essa doença.

Ademais, cabe destacar que os desafios são potencializados pela automedicação. Segundo a série “Tome suas pílulas”, da Netflix, o número de pessoas que tomam remédios sem receita médica e sem uma real necessidade  é alto, o que releva o quanto a sociedade contemporânea é utilitarista, pois o resultado final  - diminuir os incômodos- foi alcançado com êxito, mesmo que o meio para isso tenha sido antiético, isto é, sem a orientação de um profissional da saúde. Dessa forma, sem um auxílio médico específico, os indivíduos não conseguem entender que sofrem de algum transtorno e se tornam dependentes químicos dessas drogas, as quais - muitas vezes- são extremamente fortes para o tipo de patologia que eles têm. Assim,  ao afastarem a possibilidade de diagnóstico , inviabilizam o tratamento adequado e entram nas  estatísticas da obra cinematográfica.

Torna-se claro, portanto, que as dificuldades no combate à ansiedade possui raízes históricas e são potencializadas pela ingestão desnecessária de fármacos. A fim de mitigar esse situação, é necessário que a OMS em parceria com os Ministérios da Saúde de cada país promova debates e oficinas semanais em escolas, universidades e centros culturais, por meio da presença de psicólogos e psiquiatras, para desconstruir os preconceitos  sobre os doentes e indicar as áreas médicas públicas que irão atender e tratar  de quem sofre com essa patologia.  Assim, os desafios não serão mais uma realidade e a saúde será plena para todos os cidadãos..