Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 16/06/2020
O sociólogo Georg Simmel ao analisar as mudanças ocorridas com o capitalismo e o crescimento da urbanização, notou que os indivíduos saíram de uma condição bucólica, leve e tranquila para uma sociedade cheia de estímulos e caos. Nesse contexto, os indivíduos encontraram maneiras de se blindar desses estímulos, a fim de se desgastarem menos nessa nova realidade. No que tange à ansiedade na sociedade contemporânea, ainda há pessoas que não reagem bem ao caos das cidades reais e virtuais e tendem a se desgastar ao ponto de terem que lidar com casos clínicos de ansiedade. Além disso, ao passo que as diversas instituições sociais exaltam a extroversão, pessoas mais introvertidas tendem a não se enquadrar e serem mais propensas à quadros de ansiedade.
A sociedade tem evoluído para um socialização integral entre os seres humanos com as redes sociais, o que potencializa os estímulos abordados por Simmel. Nessa perspectiva, a série americana “Mr. Robot” acompanha a trajetória de Elliot, um jovem hacker, que sofre de transtorno de ansiedade social, depressão clínica e abuso de drogas devido a uma extrema frustração que sente das pessoas e o meio em que vive. Dessa maneira, esse personagem é a ilustração de muitos indivíduos que se sentem deslocados e infelizes com as injustiças, desigualdades e violência que estão cada vez mais evidentes com as redes sociais e com a mídia.
Ademais, as instituições como a Escola, o Trabalho e o próprio Estado foram formados em uma mentalidade de exaltação às características extrovertidas, o que lesou fortemente as pessoas com traços predominantemente introvertidos. Por esses viés, os introvertidos são forçados a terem que pensar e agir tal como os extrovertidos, porém, tendem a ter a amígdala cerebral mais sensível a novos estímulos gerando respostas instintivas de retração em ambientes caóticos em que são expostos. Dessa maneira, a atual sociedade ínsita o desgaste emocional desse grupo de pessoas, o que os predispões à ansiedade e a fobia social.
Dado o exposto, é necessário uma atuação do Governo Federal, por intermédio das instituições de ensino e empresas de várias setores da economia, viabilizar o acesso de psicólogos e psiquiatras para os trabalhadores e estudantes. Por esse ângulo, em parceria com as universidades e setores privados o Estado custearia o acesso à tratamentos psiquiátricos e psicológicos de grupos expostos aos estímulos sociais de forma mais intensa, a fim de amenizar o desgastes mental e otimizar a produtividade dessas pessoas. Com isso, será mais fácil controlar vários problemas clínicos, e reestruturar essas instituições para que não priorize somente traços extrovertidos ou introvertidos, o que criará um ambiente democrático e saudável de estudo e trabalho.