Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 23/06/2020

A ansiedade se tornou o mal do século. De acordo com a OMS, 30% da população mundial, teve ou ainda terá contato com essa doença que provoca uma resposta humoral de medo, mesmo quando não exista um estimulo externo que justifique esse comportamento. Essa é uma situação alarmante porque o descaso com a qual é tratada hoje e a ausência de um protocolo estabelecido e aceito pelo manual de diagnóstico e estatística dos transtornos mentais (DSM-5) sobre como abordar e tratar esse transtorno, fazem com que as vidas sociais e profissionais dessas pessoas sejam seriamente impactadas.

Existem diversos fatores que, sozinhos ou combinados, são gatilhos à ansiedade, como: traumas, estresse, genética, doenças físicas, depressão, etc… Quando uma análise mais detalhada é feita, pode-se perceber que a maioria dessas causas têm em comum o modo de vida levado pela sociedade - voltado para produção de resultados e a necessidade de afirmação pelos outros; o chamado behaviorismo, proposto em 1938 por B.F. Skinner, sendo ambos a alavanca que eleva o atual descaso com que a mesma é tratada por grande parte da população. O comprometimento emocional da pessoa afetada pelo transtorno passa a ser diminuído frente o desconhecimento externo da angústia a qual ela se encontra.

Outro problema no combate à ansiedade é a ausência de um protocolo específico de tratamento. Sendo, na maioria das vezes, receitados diversos antidepressivos e até mesmo benzodiazepínicos – comuns ao tratamento da depressão. Acontece que, como esses medicamentos são voltados ao tratamento de outro transtorno, os efeitos colaterais acabam sendo empecilhos à aceitação do tratamento. A resistência aliada ao preconceito faz com que o estigma afete tanto o indivíduo ao ponto do mesmo se recusar a buscar ajuda.

Portanto, em virtude do que foi mencionado, são necessárias ações de conscientização, informação e exposição dos pormenores da ansiedade. Tais ações podem ser dirigidas pela OMS, por meio de campanhas informativas – visuais ou impressas, criação de canais de diálogo entre agentes de saúde e pacientes a fim de retirar o estigma envolto no diagnóstico e tratamento do distúrbio, educação de crianças e adolescentes e suporte psicopedagógico e técnicas de relaxamento podem ser oferecidos pelas escolas e, por último, as Secretarias de Saúde, devem estimular a busca pelas terapias cognitivo-comportamentais oferecidas em seus CAPS. Com isso, o combate à ansiedade seria efetivo.