Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 15/06/2020

No romance “A Redoma de Vidro”, de Sylvia Plath, é retratada a história de Esther, uma jovem universitária que estagia em uma renomada revista. Tal situação, que parece ideal para muitos, acaba desenvolvendo ansiedade na estudante, tendo em vista a busca incansável pelo sucesso na faculdade e no trabalho. Infelizmente, realidades como a de Esther não destoam da conjuntura contemporânea, a qual enfrenta desafios no combate a transtornos psicológicos. Esse cenário nefasto ocorre tanto em razão de fatores históricos, quanto de fatores sociais. Logo, faz-se imperiosa a análise desse panorama a fim de mitigar os entraves para a consolidação da saúde mental dos brasileiros.

Em primeiro plano, é válido destacar que o Brasil, por ter sido colonizado por um Estado católico, tem, até hoje, valores de cunho religioso enraizados na mentalidade da população. Essas vertentes  espirituais vêm os transtornos mentais como pecados, o que acaba criando um ambiente retrógrado, onde doenças, como a ansiedade, não recebem a atenção devida. Assim, muitos dos que sofrem com  esses distúrbios acabam não pedindo ajuda psicológica, seja por vergonha, seja por não ter suporte familiar, tendo em vista o preconceito histórico.

Ademais, a perfeição imposta socialmente aos indivíduos é o principal desafio social que contribui na expansão de casos de ansiedade. Conforme o filósofo Guy Debord, em sua teoria da “Sociedade do Espetáculo”, na era pós-moderna, as pessoas vivem como se fosse uma performance, sempre tentando dar o melhor show umas para as outras. A teoria comprova-se verdadeira quando comparada aos altos padrões de nossa sociedade. Com a maior exposição trazida pelas redes sociais e pela competitividade acirrada, seja em padrões estéticos ou intelectuais, espera-se cada vez mais perfeição no show de cada um. Dessa forma, as metas de vida se tornam maiores, com salários mais altos, notas melhores, e até mesmo corpos mais bonitos, fazendo com que tudo, no final, torne-se inalcançável, provocando distúrbios psicológicos na população.

Portanto, medidas são necessárias para garantir a saúde mental dos indivíduos. Logo, é dever do Governo Federal, em parceira com o Ministério da Saúde, desenvolver campanhas publicitárias de cunho sociológico, por meio da mídia, que informem sobre as consequências das doenças mentais e da importância de tratá-las com seriedade, com a finalidade de desconstruir preconceitos históricos. Além disso, nessas propagandas também podem ser abordados os perigos que a competitividade nas redes sociais pode trazer, procurando conscientizar os indivíduos sobre os malefícios dos comparativos sociais. Desse modo, espera-se a efetivação do combate aos casos de ansiedade na contemporaneidade.