Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 14/06/2020

Entre outros problemas atrelados à era digital, um vetor crescente e alarmante é a ansiedade, distúrbio mental que é enfrentado por várias pessoas em escala global e já considerado mal do século XXI. Configura-se como um impeditivo da concentração e, gradualmente, afeta a rotina dos indivíduos acometidos do problema mental, concomitantemente, com as relações interpessoais inerentes a ela. Logo, é de suma importância a ciência dos impactos deste percalço no Brasil: o epicentro dos casos.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a sociedade brasileira é onde a doença mais se agrava, o que questiona a saúde pública e os parâmetros estruturais que levam a isso. Não obstante à expressiva população do país, esta não justifica as disparidades econômicas evidenciadas ainda mais com o desemprego em alta. O qual, desmorona a auto-estima e a capacidade produtiva do cidadão, ocasionando, geralmente, crises de ansiedade que, por sua vez, desencadeiam o isolamento social. Como já afirmara Aristóteles, renomado filósofo: “O homem é um ser social”, portanto, a convivência em sociedade se faz imprescindível agente contra a ansiedade, uma vez que proporciona atividades relativas ao lazer, trabalho e família. Tais atividades em que hormônios benéficos à ansiedade, serotonina e endorfina, podem ser liberados, diminuindo sintomas comuns ao mal.

Para além da preocupação e triste amenizados (sintomas) com o convívio em sociedade, vale destacar que não só por causa do desemprego há tanta ansiedade no povo brasileiro. Um fator que engloba não só o Brasil, mas toda a Terra, é o acesso dos internautas à vasta gama de redes sociais. Dentre elas, o Instagram: ambiente virtual voltado para a postagem de fotos e que se tornou num palco de transmissão contínua da vida alheia, o que permite a comparação de modos de vida. Desde às mais novas tendências da moda até às aprovações mais almejadas na vida acadêmica-profissional, esse conteúdo é partilhado e suscita reflexões quanto à qualidade de vida dos espectadores, quer seja, na perspectiva deles, inferior ou superior. Isso afronta a ideia de “justiça social” proposta por Comte, porém, nem sempre com pensamentos contestadores e motivantes a mudar seu estado de vida. Muitas vezes, no entanto, acentua a inconformação com a vida, o vício nas redes - em virtude de ver o que é desejável em detrimento do acessível -, a alienação da vida e até mesmo a depressão e o suicídio.

Diante do exposto, faz-se necessário que medidas sejam tomadas para mitigar a problemática, com ações conjuntas de órgãos públicos e ONG’s. Àqueles cabe ao Ministério da Educação conjuntamente com o poder executivo, buscar a sanção de uma lei que torne obrigatório a contratação de acompanhamento psicológico no meio educacional, além de palestras elucidadoras aos pais; estes devem ter incentivos privados e públicos, para a disseminação do que é e como tratar doenças mentais.