Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 14/06/2020

“Use, seja, ouça, diga, tenha, more, gaste, viva…”. O trecho da música da compositora e cantora Pitty reflete muito a pressão exercida sobre o ser humano nos dias atuais. Segundo o escritor Augusto Cury em seu livro “Ansiedade: como enfrentar o mal do século”, o indivíduo está sendo cobrado, pressionado, pensando excessivamente, se tornando refém de sua própria mente graças aos imperativos da sociedade e gerando um contexto de ansiedade difícil de ser superado. Tal situação, somada ao preconceito em relação aos profissionais da área psiquiátrica bem como a falta de entendimento da sociedade acerca da ansiedade, formam um quadro que necessita ser modificado.

Primeiramente, destaca-se que é grande o preconceito contra os profissionais de saúde da área psiquiátrica. Chamados muitas vezes de “médicos de doido”, a pessoa ansiosa fica inibida de procurar assistência. Esta reação é preocupante, uma vez que o acompanhamento profissional é indispensável nesses casos por diversos fatores inerentes à ansiedade patológica. Um exemplo da necessidade de acompanhamento é fornecido pela Associação Nacional de Psiquiatria, segundo a qual 18% dos suicidas possuem transtornos como a ansiedade, demonstrando, assim, a necessidade do tratamento psiquiátrico.

Outro fator preponderante aponta para a falta de entendimento das pessoas acerca do que é ansiedade. Por vezes o ansioso escuta de seus pares “eu também fico ansioso e não reajo assim”. Essa frase é muito utilizada quando não se sabe a diferença entre ansiedade fisiológica e ansiedade patológica. A ansiedade fisiológica é aquela que todo ser humano possui ao se deparar com um fato novo ou algo importante que irá se submeter. Já a ansiedade patológica vem acompanhada de sintomas como falta de ar, sensação de desmaio, taquicardia, dentre outros, sendo mais que uma ansiedade fisiológica, mas trazendo sofrimento patológico ao ansioso.

A sociedade, portanto, encontra no preconceito com os profissionais da área psiquiátrica e na falta de entendimento sobre o que é ansiedade, dois entraves que prejudicam seriamente os ansiosos. A fim de que se minimize esse cenário preocupante, deve o Governo Federal, através do Ministério da Saúde e os Governos Estaduais e Municipais através das suas Secretárias de Saúde, divulgar cartilhas de informações na televisão e nas escolas sobre a ansiedade e os profissionais indicados para tratá-la, bem como detalhar as diferenças entre ansiedade fisiológica e patológica. Aumentam-se, assim, as chances de cura e tratamento para a ansiedade e a possibilidade de uma vida feliz para os que sofrem dela.