Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 14/06/2020

A série “13 Reasons Why”, produzida pela Netflix, apresenta a história de Hannah Baker, uma adolescente que comete suicídio e deixa treze fitas relatando os motivos que a levou a tirar sua própria vida, além de trazer personagens que lidam com diversos tipos de situações que podem desencadear crises depressivas e de ansiedade. Fora do âmbito cinematográfico, o Brasil sofre uma epidemia de ansiedade que está relacionada ao cenário globalizado do mundo e pela baixa disponibilidade de acompanhamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o criador da psicanálise, Sigmund Freud, as pessoas buscam satisfazer o tempo todo um vazio e utilizam as redes sociais como um simulador de uma vida “perfeita” que é determinada pela própria sociedade. Esse comportamento, na sociedade contemporânea, implica no desencadeamento de crises de ansiedade na população por, muitas vezes, não conseguirem atingir esse padrão imposto e, como consequência, houve aumento em 705% dos episódios relacionados a depressão no mundo nos últimos 10 anos, segundo um levantamento realizado pela Universidade Harvard. Com isso, as classes sociais que não conseguem acompanhar o estilo de vida exigido pela sociedade se tornam mais vulnerável à doença.

Ainda, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Psiquiatria, o orçamento destinado para a saúde mental em 2014 era 6,3% e, atualmente, esse percentual é de 1,8%. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo e, devido à queda no orçamento, há diminuição do acesso da população aos recursos para tratamentos dos distúrbios mentais. Nesse viés, o baixo investimento implica diretamente no aumento e agravamento da doença na população.

Dessa forma, percebe-se a necessidade de medidas públicas para combater a ansiedade na sociedade contemporânea. Para isso, é necessário que o Organização Mundial da Saúde, em parceria com as universidades, promova campanhas explicando sobre a ansiedade e métodos para controlar esse transtorno, a fim de garantir que a população entenda a gravidade e formas de controlar esse distúrbio. Além disso, é necessário que o Ministério da Saúde reveja o orçamento disponibilizado à saúde mental para promover maior acessibilidade aos tratamentos. Com a população orientada e com alcance aos recursos terapêuticos, esse distúrbio se tornará controlável na sociedade.