Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 15/06/2020
O futurismo foi uma vanguarda europeia que cultuava a velocidade das transformações sociais, supervalorizando o futuro. De maneira análoga, essa preocupação demasiada com a posterioridade ainda afeta o período contemporâneo e é um dos sintomas do transtorno de ansiedade, que é, negativamente, verificado de forma comum. Nesse contexto, dois aspectos se destacam como obstáculos para a atenuação desse problema: as pressões sociais e sua corroboração com o advento da internet.
De início, cabe elucidar como os paradigmas do corpo social contribuem para a ansiedade. Sob esse ângulo, segundo o filósofo Byung-Chul Han, no período hodierno, vive-se a “Sociedade do Cansaço”, na qual é exigido, constantemente, bom desempenho pessoal, profissional e social dos indivíduos. Tendo em vista o exposto, a tentativa de alcançar o sucesso de modo ininterrupto sobrecarrega as pessoas, o que favorece o desenvolvimento de transtorno de ansiedade.
Além disso, vale ressaltar que a internet intensifica a problemática supracitada. Nesse sentido, de acordo com o filósofo francês Pierre Lévy, qualquer tecnologia gera seus excluídos. Isso é notório nas redes sociais, haja vista que, nelas, as pessoas expõem uma felicidade linear, que é ilusória, em busca de aceitação social. Em meio a isso, existem indivíduos que não conseguem acompanhar esse padrão - os excluídos, para Pierre Lévy -, que se frustram ao se comparar às vidas falsas nas redes sociais, o que é extremamente colaborativo para o aumento da ansiedade.
Portanto, observa-se que o combate à ansiedade é dificultado por causa de pressões sociais, seja no próprio corpo social, seja no mundo virtual. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério da Educação melhore o sistema escolar, por meio da introdução de psicólogos como obrigatoriedade nas escolas - oferecendo atendimento gratuito não só aos estudantes, mas também aos responsáveis -, a fim de proporcionar melhor acesso à terapia e, consequentemente, formar cidadãos mais saudáveis. Assim, a ideia vanguardista de foco exacerbado no futuro será mitigada.