Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 15/06/2020
O filme estadunidense “Click”, de 2006, narra a história de Michael Newman, um arquiteto frustrado com seu emprego e família, que um dia ganha a oportunidade de acelerar o tempo com um controle remoto, pulando momentos importantes em sua vida. Embora ficcional, a obra metaforiza a necessidade nociva de imediatismo e a intensa ansiedade vivida por brasileiros hodiernamente. Assim, é lícito inferir que o defasado sistema de ensino e os estímulos midiáticos negativos – oriundos de uma noção capitalista inconsequente – são agentes perpetuadores do danoso panorama em território nacional.
A priori, é fulcral perceber que a negligência das instituições escolares com a educação emocional dos alunos é um significativo entrave para o combate à ansiedade no país. Essa lógica é evidenciada pelas técnicas rudimentares de ensino que prezam o aprendizado conteudista em detrimento do desenvolvimento pessoal. Logo, assim como enfatizado pelo psicólogo brasileiro Augusto Cury, o sistema educacional do século XXI não atende às necessidades da vida moderna, uma vez que não prioriza aulas voltadas ao desenvolvimento pessoal. Desse modo, ao não expor sintomas e consequências da ansiedade, instituições de educação formam cidadãos mais suscetíveis à doença e dificultam o diagnóstico precoce de crianças e adolescentes.
Outrossim, cabe ressaltar o papel da mídia no que concerne à modelagem do comportamento da massa. Isso porque, os meios de comunicação, tal como discutido pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, deveriam ser usados para democratizar o acesso à informação. Entretanto, esse quadro é subvertido à medida que o espaço das redes sociais é manipulado por empresas preocupadas somente com o ganho pessoal, que utilizam ferramentas atrativas aos consumidores – como propagandas direcionadas - para instigar o vício virtual, a necessidade de velocidade e o consumo desmedido. Por conseguinte, a tecnologia é convertida em um mecanismo lesivo à saúde mental e precursor da dependência e ansiedade.
Portanto, urge que o Governo Federal, em par com o MEC, reformule o currículo escolar da educação básica, de maneira a instituir a obrigatoriedade de aulas de educação emocional desde os anos iniciais, as quais devem ser ministradas por psicólogos, por meio de recursos tecnológicos - haja vista que podem potencializar o aspecto lúdico e modernizar o aprendizado – a fim de debater o bem-estar psicológico desde a infância. Ademais, o Governo deve criar uma ação publicitária, veiculada nas redes sociais, de caráter conscientizador, com dados acerca da ocorrência da ansiedade. Dessa maneira, será possível reduzir a ansiedade brasileira utilizando a comunicação conforme previa Bourdieu.