Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 12/06/2020

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, fenômenos que geram perturbações no meio coletivo são verdadeiras patologias sociais. Nesse sentido, pode-se afirmar que a ansiedade presente na sociedade atual se configura como uma grave doença no organismo social. Tal distúrbio provém de um contexto sócio-econômico que é permeado pela incerteza, o qual promove a ânsia dos indivíduos e encontra desafios que dificultam a sua amenização.

Primeiramente, é necessário pontuar que os distúrbios de ansiedade provém de uma conjuntura mundial que tem na falta de certeza uma forte característica. Zygmunt Bauman, filósofo polonês, afirma que a globalização favoreceu o surgimento de uma realidade marcada pela instabilidade. Nela, as relações humanas, laborais e econômicas passaram a se pautar em informações que são atualizadas a todo instante, favorecendo uma mudança constante no modo adequado de agir nessas áreas. Isso pode ser ilustrado na frequente preocupação dos profissionais em desenvolverem novas competências exigidas pela pressão do que Bauman chama de “trabalho líquido”. Tem-se, assim, que um cenário sócio-econômico que muda velozmente produz um terreno fértil para o surgimento de incertezas, culminando em quadros de ansiedade nos indivíduos.

Ademais, há empecilhos que dificultam o tratamento dessa patologia, os quais se relacionam fortemente com estereótipos sociais. Segundo a psiquiatra Neury Botega, existe uma desconfiança generalizada acerca da medicação dos pacientes ansiosos. Tal situação advém de um período no qual o acompanhamento dos doentes era feito sem muitos recursos, de modo que remédios que provocavam dependências eram constantemente utilizados. Criou-se, assim, um rótulo social que define o tratamento como algo extremo relacionado a “casos de loucura”. Dessa maneira, gera-se uma resistência que atrasa a procura por ajuda e a amenização da situação.

Dessa forma, considerando as causas da problemática e os os obstáculos ligados ao retardo do seu tratamento, urge que ações sejam realizadas para amenizar tal quadro social. A fim de que os cidadãos sejam informados acerca do distúrbio, além de sensibilizados sobre a importância da procura por ajuda, o Ministério da Saúde, em parceria com o da Educação, deve promover projetos de informação. Isso deve ser feito mediante o uso de verbas governamentais que fomentem espaços de diálogo no formato de debates em escolas, visando atingir o público jovem e seus familiares. Essas discussões deverão, ainda, ser guiadas por profissionais como psiquiatras e sociólogos que explorem as características, efeitos e remediações da ansiedade. Dessa maneira, estaria-se colaborando para que tal doença deixe de gerar as desordens sociais citadas por Émile Durkheim.