Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 11/06/2020
O livro “Admirável Mundo Novo”, escrito pelo inglês Aldous Huxley, retrata uma sociedade distópica, na qual os indivíduos abusam de um medicamento denominado “SOMA” para inibir os efeitos negativos de uma rotina diária padronizada e monótona. Tristemente, a realidade do Brasil, hodiernamente, assemelha-se a da obra supracitada, onde muitas pessoas que sofrem de ansiedade usam medicamentos para manter a homeostase mental. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para parte da população verde-amarela, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas à irresponsabilidade cívica e promove consequências sanitárias.
Mormente, a falta de responsabilidade por parte da população configura-se como o principal desafio no que tange ao combate à ansiedade. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que o período atual é caracterizado, por ele, como “líquido”, devido à fragilidade das relações humanas e o imediatismo. Nesse sentido, pode-se afirmar que o indivíduo moderno é menos social, evita o contato humano e toma decisões pensando em sí; o que pode ser observado, inclusive, na prática da automedicação, ato oneroso que ignora recomendações médicas e psicológicas. Contudo, agir sem orientação profissional para combater problemas psíquicos não é a solução, pois pode expor o usuário a Medicamentos Irrestritos de Prescrição(MIP), cujo uso pode danificar o equilíbrio do organismo e pouco colabora na luta contra a ansiedade.
Consequentemente, as práticas geradas pela automedicação produzem efeitos negativos para o indivíduo. Consoante aos dados da Sociedade de Psiquiatria de Minas Gerais(SPMG) de 2015, aproximadamente 40% dos entrevistados desenvolveram dependência a algum medicamento para combater doenças psíquicas, incluindo o café. Dessa forma, é evidente que a irresponsabilidade cívica, vinculado a carência de acompanhamento médico, cria uma crise sanitária e um hábito que está diluindo-se na população, cujas consequências danificam os órgãos, prejudicam o sono e o funcionamento do corpo. Destarte, enquanto não houver políticas públicas efetivas, esse será um problema recorrente na nação verde-amarela.
Urge, portanto, uma solução definitiva para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, vinculado à Mídia, criar campanhas de conscientização que visem a incentivar pessoas ansiosas e depressivas a buscarem acompanhamento médico nas redes públicas e privadas de saúde. Tais campanhas devem ser veiculadas em propagandas na televisão, em panfletos em postos de saúde, nas redes sociais e em outdoors. Assim, com uma população mais crítica e informada sobre o assunto, espera-se que a problemática da ansiedade seja atenuada.