Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 19/06/2020

De acordo com o pai da psicanálise, Sigma Freud, a ansiedade é caracterizada como o estado emocional desagradável que desperta sensações físicas e alerta a pessoa para uma possível situação de perigo. Além disso, sob o ponto de vista evolutivo, Darwin considera esse estado como algo benéfico, já que traria vantagens ao preparar previamente o indivíduo para ocasiões de risco. No entanto, hodiernamente, ao extrapolar os limites da normalidade a ansiedade tornou-se uma doença, denominada “Transtorno de Ansiedade Generalizada” (TAG), que causa grande imbróglio para a sociedade. A fim de compreender como um instinto natural se tornou uma doença tão grave, é importante analisar suas causas e os preconceitos que ainda perduram em relação a esse transtorno.

Primeiramente, é importante ressaltar que além dos sintomas psíquicos a ansiedade causa também sintomas físicos, como: coração acelerado, falta de ar, tremores, entre outros. Esse sintomas têm tornado-se frequentes na vida dos brasileiros, pois, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, 9,3% da população sofria com esse problema, ganhando a liderança de país com mais ansiosos no mundo. Dentre as principais causas para essa doença tem-se o ritmo acelerado e altamente competitivo da modernidade e as relações interpessoais cada vez mais superficiais e escassas. Logo, os relacionamentos efêmeros da sociedade líquida, que foram retratados por Zygmunto Bauman, são agravantes das crises de ansiedade.

Ademais, outro fator que contribui para a piora da TAG é o estigma em torno do doente e da procura por tratamento profissional. Historicamente, transtornos psicológicos foram associados a falta de Deus e a incorporação de entidades malignas. Atualmente, apesar de grandes avanços nos estudos dessa doença, existe grande preconceito em procurar psicólogos e psiquiatras, preconceito esse que pode vir de terceiros e até do próprio doente, ao associar esses profissionais à “coisa de doido”. A fim de mitigar esse estigma ao doente, a Associação Brasileira de Psiquiatria lançou a campanha de combate a psicofobia, termo usado para designar o preconceito ao doente psicológico.

Em suma, a ansiedade é um problema grave que atinge a sociedade e o Estado precisa atuar de forma operante em sua resolução. Destarte, o Ministério da Saúde deveria criar campanhas televisivas que abordassem os sintomas e tratamentos da doença, desta forma seria estimulado e naturalizado o ato de ir ao psicologo. Ademais, o Poder Legislativo deveria criar uma lei tornando obrigatória a presença de psicólogos em escolas públicas para atendimento dos alunos, a fim de incentivar o cuidado com o psicológico desde a infância. O brasileiro precisa compreender que a saúde física e mental não podem ser dissociadas, pois só cuidando de ambas conquista-se a saúde plena do corpo.