Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 10/06/2020
O livro “O Holocausto Brasileiro” retrata a história de um manicômio que existiu em Barbacena, Minas Gerais, local onde foram relatados por anos casos de desrespeito aos direitos humanos mais básicos com as pessoas ali internadas. Estima-se que 70% delas não possuíam sequer indícios de doenças mentais. Diante do fato mencionado, é veras dizer que sempre houve uma tentativa de eliminar pessoas com comportamentos classificados como anormais, inclusive pessoas com problemas de saúde mental. Assim permite-se dizer que a ansiedade ainda é tratada como um tabu no Brasil, enquanto segue sendo um sério problema de saúde pública, sendo portanto um desafio combatê-la.
Em primeira análise, cabe ressaltar que o tabu criado em volta do tema, gera ignorância por parte da sociedade como um todo. Apesar de o Brasil ser o país com a maior taxa de ansiedade do mundo, afetando 9,3% da população segundo a OMS, os pacientes que sofrem de ansiedade podem ser classificados segundo o conceito de “outsiders”, definido pelo sociólogo Norbert Elias, que consiste em pessoas que são excluídas da sociedade, ignoradas.
Em consequência, a ignorância sobre o assunto traz o desconhecimento. A partir disso, temos uma população desinformada a cerca da ansiedade, o que ocasiona dois extremos: Por um lado, temos a “medicalização” do comportamento humano, termo definido pelo historiador Leandro Karnal, que consiste em medicar a população, sobretudo crianças, sem necessidade ou além do adequado. Por outro lado, temos a banalização do uso de medicamentos para essa doença, gerando até o medo do uso deles, ou até mesmo medo de contrair a doença, como acontece por exemplo, no fenômeno de Sensibilidade à Ansiedade.
Em virtude dos fatos mencionados, é notório que o tabu em volta da ansiedade gera desconhecimento. Assim, faz se necessária a ação do Ministério da Saúde juntamente com a Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio de propagandas explicativas sobre o tema da ansiedade a serem veiculadas nas redes sociais, para que a população se informe sobre a questão da ansiedade e possa repassar com propriedade domínio acerca do assunto, desde que respeitem a laicidade garantida pela Constituição Federal, impedindo, por conseguinte, que crenças de qualquer natureza atrapalhem o diagnóstico e tratamento da doença.