Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 10/06/2020

Dentre os inúmeros direitos garantidos na Declaração dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), destaca-se a saúde como imprescindível ao bem estar da população. No entanto, o Brasil mostra-se muitas vezes como incapaz de atingir tal meta, uma vez que a problemática da ansiedade na sociedade contemporânea continua acometendo um número cada vez maior de pessoas e pondo em cheque o bem estar da nação. Nesse sentido, torna-se necessário analisar tanto a falta de um sistema de saúde que trate a causa e não as consequências da ansiedade, bem como a omissão governamental frente a essa problemática, pelo fato de serem estes, agentes fundamentais a perpetuação dessa mazela.

Em primeira análise, destaca-se a baixa atuação de setores governamentais no que tange tratamento de doenças psiquiátricas. Segundo Martin Luther King, “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo o lugar”. Analogamente, a falta de atitudes enérgicas do estado frente a esse crescente problema, irá afetar não só o indivíduo acometido pela enfermidade, mas também toda a cadeia de produção, uma vez que o bem estar mental é condição sine qua non para que qualquer sociedade possa realizar com esmero suas atividades.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de um sistema de saúde voltado a saúde mental como impulsionador do problema. Em um levantamento realizado pela Sul América: em seis anos, houve um salto de 74% no número de antidepressivos adquiridos pelos segurados dessa operadora. Nesse contexto, a franca expansão do uso de remédios mostra o quão necessário é ter um maior contingente financeiro voltado aos cuidados mentais dos indivíduos, de tal maneira que as causas desse problema possam ser combatidas de fato, e não através meio paliativos como remédios, que mesmo auxiliando essas pessoas, não as cura de fato de algo que, muitas das vezes, está enraizado em sua mente.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que esse problema seja solucionado. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo elaborar leis que, além de promover um maior investimento no setor da saúde, torne obrigatório a presença de profissionais da saúde em hospitais e em Unidades Básicas de Saúde (UBS), a fim de facilitar o acesso de pessoas acometidas por transtornos de ansiedade a formas de tratar essa doença. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde promover congressos a profissionais da saúde tendo como pauta a saúde mental, ressaltando a importância do tratamento médico primário a causa da enfermidade, por meio do encaminhamento do paciente a um psicólogo que tenha o poderio necessário a tratar de fato sua doença, e, em último caso, o uso de remédios receitados pelo psiquiatra a fim de amenizar seus sintomas.