Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 11/06/2020

O poema “No meio do caminho”, do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, revela, de forma metafórica, a existência de obstáculos no percurso da vida humana. De maneira análoga, os desafios no combate à ansiedade tornaram-se pedras no meio do caminho da sociedade moderna, haja vista que eles impedem a efetivação do pleno bem-estar social. Nesse contexto, é imperioso analisar como a vida corrida e a cobrança pela escolha de uma profissão contribuem para a existência desse grave problema na agremiação.

Em primeiro lugar, é indubitável que a vida corrida esteja entre as causas do transtorno, tendo em vista que, hodiernamente, vive-se a chamada “modernidade líquida”, defendida pelo filósofo Zygmunt Bauman, que consiste nas relações efêmeras. Dessa forma, as pessoas não dispõem de tempo e, consequentemente, não interagem umas com as outras, pois colocam o trabalho e as obrigações diárias como o centro de tudo, de tal modo que as tarefas são realizadas no automático. Infelizmente, a ausência de relações interpessoais cria um abismo na vida dos indivíduos que como consequência resulta em quadros de ansiedade.

Em segundo plano, destaca-se a cobrança pela escolha de uma profissão como impulsionadora da ansiedade nos jovens. Isso porque no fim do ensino médio o aluno necessita tomar a decisão do que fará de sua vida. Sendo assim, não só o corpo estudantil, mas também a família pressiona os jovens para que prestem vestibular. Lamentavelmente, a pressão de ter que escolher uma profissão e de ter que passar no vestibular geram ansiedade e medo com relação ao futuro, visto que é colocada uma expectativa muito grande sobre o grupo juvenil. Nesse sentido, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil apresenta o maior número de pessoas ansiosas do mundo, dentre esses o maior público acometido com esse tipo de transtorno são os jovens.

Logo, é notório que a rotina corrida e a decisão por uma profissão acarretaram os transtornos de ansiedade. Portanto, é imprescindível que o Ministério de Saúde em parceria com o Ministério da Educação, promovam programas de debates e assistências para a população, com a participação de mestres e doutores da área, por meio de palestras nas escolas e universidades brasileiras que visem informar sobre a ansiedade e as formas de combatê-la com palestras, além de ofertar atendimento psicológico gratuito para auxiliar os indivíduos acometidos por esse tipo de problema, a fim de erradicar as pedras do caminho da sociedade como no poema “No meio do caminho” de Drummond.