Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 10/06/2020
Ansiedade é uma condição natural do ser humano, gerada em situações de preocupações. Entretanto, quando o sentimento passa a ser excessivo, ele se torna uma patologia que atrapalha gravemente a vida da pessoa. Nesse caso, o transtorno de ansiedade torna-se um problema de saúde público muito comum no mundo contemporâneo, mas que no Brasil não é tratado com preocupação e seriedade. Dentre os fatores que contribuem para o problema, estão a omissão da sociedade e a desassistência do Estado.
Primeiramente, é importante destacar que problemas de saúde mental tendem a aumentar com o tempo nas sociedade contemporâneas. De acordo com o filósofo polonês Zygmunt Bauman, o mundo industrializado fomenta um excesso de consumo e competitividade, levando a exaustivas jornadas de trabalho que geram muito estresse e, por fim, a ansiedade. No Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 9% da população sofre com ansiedade, mas, ainda assim, é uma doença encarada como um tabu, e as vítimas sofrem com preconceitos e falta de informação. Dessa forma, é habitual a existência de estereótipos sociais que associam às crises de ansiedade com insanidade mental, fazendo com que a vítima sinta vergonha de falar sobre seu problema e evite procurar ajuda.
Além disso, existe a adversidade do investimento público. Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde em 2019, de todo o orçamento destinado a área da saúde, menos de 1,5% é designado ao combate a transtornos mentais. Esse dado revela que o Estado não encara a saúde mental como um grave problema e, então, são criados obstáculos estruturais relacionados a falta de atendimento e pouca divulgação de conhecimento. Tal comportamento contraria a lei de Reforma Psiquiátrica de 2001, que assegura direitos como proteção e tratamento de qualidade para cidadãos acometidos por alterações mentais. Consequentemente, cria-se um cenário de pouco interesse por parte do Estado e da população, fato que contribui por dificultar o enfrentamento da situação.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Nesse aspecto, é imprescindível que o governo federal aumente os recursos reservados para a área de transtornos mentais. Pois assim, será possível uma parceria entre os Ministérios da Saúde e Educação para promoverem atendimento psicológico obrigatório nas escolas, e contribuir para que haja aumento no debate sobre o tema, com efeito de normalizar a busca por ajuda sem temer julgamentos. Ademais, é importante que o Governo impulsione campanhas publicitárias para serem divulgadas massivamente na grande mídia, no intuito de conscientizar a população a respeito da gravidade do problema de ansiedade. Só assim, com uma sociedade interessada e um Governo atuante, o transtorno de ansiedade poderá ser atenuado.