Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 15/06/2020
Uma sociedade pouco cínica
Diógenes, o principal nome da doutrina filosófica do cinismo, abdicou de todos os seus bens materiais para viver sem preocupações que não fossem a busca pela felicidade em uma vida simples e natural. Hodiernamente no entanto, pouco seriam aqueles capazes de viver seguindo os ideias cínicos, assim como Diógenes, livrando-se de toda a ansiedade onipresente do dia a dia. Nesse contexto, faz-se necessário conhecer as causas dessa ansiedade epidêmica para que seja possível encontrar formar de solucionar essa questão.
É importante, primeiramente, perceber que o modo como a visão do futuro dos indivíduos é construída em uma sociedade como o Brasil propicia o surgimento da ansiedade. Isso se dá pois são incentivadas perspectivas padrões para os indivíduos, como sucesso, reputação e riqueza. Essas metas são somente obteníveis através de oportunidades que surgem devido a fatores externos ao controle do indivíduo. Nesse cenário, ao encarar esses acontecimentos que lhe são alheios às suas ações, a pessoa se frusta por ser levado a se sentir incapaz de atingir os objetivos que lhe foram induzidos. Fatos que corroboram com essa ideia vêm de pesquisas da Mindminers que apontam que os principais causadores de estresse na população são fatores que deveriam ser responsabilidade do estado, e não do indivíduo, como segurança pública, crises econômicas e corrupção.
Vale, também, ressaltar que o preconceito que tem-se sobre essa doença atrapalha o tratamento dessa epidemia. Em sua música “Homem não chora’’, Frejat canta: “homem não chora nem por dor nem por amor” o que evidência o estigma da sociedade sobre as fraquezas do ser humano, nesse caso, em especial, as dos homens. Nesse contexto de não abertura a demonstrações de vulnerabilidade, tornam-se um tabu as discussões acerca de aflições dos indivíduos e por consequência os distúrbios psicológicos que podem estar envolvidos nessa com elas. Isso atrapalha o tratamento pois parte fundamental é a identificação dos problemas que é feita através do pedido de ajuda dos pacientes.
É possível, dessa forma, depreender que, ao contrário do que Diógenes ensinava, o modo de vida da maioria das pessoas que hoje vivem contribui para o surgimento de transtornos como o da ansiedade e que a intolerância às fraquezas dos seres humanos criam um tabu em doenças como essa, o que dificulta a superação dessa problemática. Por isso, cabe aos orgãos públicos de saúde, através de veículos midiáticos, normalizar a discussão acerca desse transtorno, para que esse estigma possa ser superado.