Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 10/06/2020
O médico Sigmund Freud descreveu a ansiedade como doença em 1926. Porém, esta foi denominada como uma patologia pelos manuais médicos apenas em 1980, o que dificultou o tratamento de inúmeras pessoas que possuíam tal enfermidade. Na hodiernidade, a doença ainda acomete milhões de pessoas todos os anos e, por isso, faz-se necessário debater as causas e consequências da questão, além dos desafios enfrentados em seu combate, a fim de atenuá-la.
Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que fazem com que a ansiedade se torne tão recorrente nos dias atuais, como os novos padrões vigentes e a pressão exercida pela comunidade, por exemplo. “Modernidade Líquida” foi o termo utilizado pelo filósofo Zygmunt Bauman para descrever a sociedade contemporânea, caracterizada por sua fluidez e mutabilidade. Uma das consequências desse modelo seria a efemeridade das relações interpessoais, o que provoca um aumento em distúrbios relacionados à ansiedade, visto que nada é feito para durar. Outrossim, o padrão estabelecido pela indústria de massa impõe modos de pensar e agir específicos e, para o grupo que não se encaixa em tais modelos, o sentimento de não pertencimento pode acarretar em doenças mentais, agravando o problema.
Por conseguinte, ainda convém lembrar as adversidades encontradas no combate à doença, como o tabu estabelecido pela população acerca do tema, o que impede muitas pessoas de buscarem ajuda. Segundo Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Dessa forma, a ausência de debates cria “muros”, os quais impossibilitam ao grupo necessitado reconhecer a existência da problemática e, consequentemente, procurar amparo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 33% da população mundial sofre de ansiedade, o que revela a gravidade do empecilho e a necessidade de se encontrar uma solução eficaz para reduzir tais números.
É perceptível, dessa maneira, como a ansiedade é um entrave para a contemporaneidade, visto que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Assim, é imprescindível que as escolas ensinem sobre o assunto por meio de aulas direcionadas, em que profissionais qualificados possam tirar as dúvidas dos alunos, a fim de retirar o tabu estabelecido sobre o tema. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, aborde o tema por meio de novelas e propagandas, para que mais pessoas tenham conhecimento acerca do assunto. Desse modo, será possível atenuar o problema, a fim de garantir que mais pessoas possam receber o apoio necessário.