Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/06/2020

A sociedade contemporânea tem como marco o advento da Terceira Revolução Industrial, a qual proporciona uma mudança no estilo de vida dos indivíduos, transformando a forma de enxergar as relações sociais e de trabalho. Diante disso, a ansiedade é um sentimento que pode ser fisiológico, quando o organismo responde às situações diárias de estresse, ou patológico, caracterizado por sintomas adjacentes, como insônia. Assim, a sociedade pós-moderna enfrenta diversos desafios no combate à ansiedade, à exemplo da medicalização excessiva da vida e da falta de informação para identificar e diferenciar a ansiedade patológica da fisiológica.

O primeiro desafio que pode ser citado no combate da ansiedade é a medicalização da vida, a qual corresponde pelo excesso do uso de medicamentos, uma vez que o meio social, após as mudanças tecnológicas, encara um aumento da carga de trabalho, e com isso, o costume de medicalizar sentimentos que nem sempre indicam um estágio de doença. Desse modo, é possível verificar que algumas classes trabalhadoras lidam com a ansiedade de forma constante, como é o caso dos enfermeiros no Brasil, e que segundo o Ministério da Saúde, mais de sessenta por cento dos enfermeiros tendem a ingerir medicamentos desnecessários, na tentativa de combater os sintomas e não o que causa a ansiedade.

A segunda causa que dificulta o combate à ansiedade é a falta de informação acerca desse processo orgânico, posto que a sociedade não consegue, muitas vezes, diferenciar o processo normal do organismo, daquele que realmente é prejudicial. Dessa maneira, quando há ausência de conhecimento sobre a ansiedade, acaba-se normalizando uma situação que pode ser uma doença, pois a maioria das pessoas que convivem com o Transtorno de Ansiedade não sabem que estão doentes, o que dificulta cada vez mais o combate a ela.

Portanto, segundo o exposto acima, é necessário que o Ministério do Trabalho, reivindique, por meio de um decreto, uma carga horária menor com um salário justo para os trabalhadores, posto que a maioria das causas de ansiedade ocorrem pela sobrecarga de trabalho. Essa medida deve acontecer a fim de que a medicalização da vida não seja mais um empecilho para combater a ansiedade. Por outro lado, é importante, também, que o Ministério da Educação ofereça, por meio da criação de um Projeto Pedagógico Político, uma disciplina que aborde os principais temas da saúde da criança e do adolescente, ensinando a diferenciar os sintomas da ansiedade fisiológica e patológica. Isso deve acontecer para que as informações contribuam no combate ao processo, simbolizando quais são os principais sintomas e porquê é tão importante cuidar da saúde mental.

Diante do exposto, é necessário que o Ministério da Saúde institua uma reciclagem profissional para a equipe multidisciplinar da saúde, compreendendo quais são os medicamentos, realmente necessários no tratamento do indivíduo, além de explicar que cada organismo reage e necessita de tratamentos diferenciados, pois o ser humano é holístico. Essas medidas devem ser tomadas, a fim de que o combate à ansiedade e à depressão sejam eficazes, o que proporcionaria uma vida mais saudável e livre da dependência medicamentosa. Também, é de competência do Ministério da Educação, instituir, por meio do Projeto Político Pedagógico,  uma disciplina que aborde as principais características necessárias para identificar a ansiedade, ensinando como proceder diante da identificação, para que desde pequenos, os brasileiros entendam a necessidade de reconhecer a ansiedade como doença, favorecendo o combate dessa patologia, por meio do reconhecimento do que é ter ansiedade.