Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 08/06/2020

Ansiedade é uma condição natural do ser humano, gerada em situações de preocupação. Entretanto, quando o sentimento passa a ser excessivo, ele se torna uma patologia que atrapalha gravemente a vida da pessoa. Desse modo, o transtorno de ansiedade é um problema de saúde pública muito comum no mundo contemporâneo, mas que no Brasil não é tratado com preocupação e seriedade. Dentre os fatores que contribuem para o problema, estão a omissão da sociedade e desassistência do Estado.

Primeiramente, é importante destacar que problemas de saúde mental tendem a aumentar com o tempo nas sociedades contemporâneas. De acordo com Zygmunt Bauman, o mundo industrializado fomenta um excesso de consumo e competitividade, levando a exaustivas jornadas de trabalho que geram muito estresse e, por fim, a ansiedade. No Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 9% da população sofre com ansiedade, mas, ainda assim, é uma doença encarada como um tabu, e as vítimas sofrem com preconceitos e falta de informação. Dessa forma, é habitual a existência de estereótipos sociais que associam às crises de ansiedade com insanidade mental, fazendo com que a vítima sinta vergonha de falar sobre seu problema e evite procurar ajuda.

Além disso, existe a adversidade do investimento público. Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde em 2019, de todo o orçamento destinado a área da saúde, menos de 1,5% é designado ao combate a transtornos mentais. Esse dado revela que o Estado não encara a saúde mental como um grave problema, e então é criado obstáculos estruturais relacionados a falta de atendimento e pouca divulgação de informações. Tal comportamento contraria a lei de Reforma Psiquiátrica de 2001, que assegura direitos como proteção e tratamento de qualidade para cidadãos acometidos por alterações mentais. Desse modo, desenvolve-se um ambiente em que há pouca discussão sobre o assunto, e permite que a população saiba apenas o senso comum e não consiga encarar a situação.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Nesse aspecto, é imprescindível uma parceria entre os Ministérios da Educação e Saúde, para promoverem atendimento psicológico obrigatório nas escolas, e assim contribuir para que haja aumento no debate sobre o tema, e ocorra uma normalização na busca por ajuda, sem temer julgamentos alheios. Além disso, é importante que o Governo impulsione campanhas publicitárias para serem divulgadas massivamente na grande mídia, com o propósito de conscientizar a população a respeito da gravidade do problema de ansiedade, permitindo que ela se interesse pela doença e crie empatia para com as vítimas. Só assim, com uma sociedade preocupada e um Governo atuante, o transtorno de ansiedade poderá ser atenuado.