Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 08/06/2020

Emicida, cantor e compositor brasileiro, caracterizou as cidades contemporâneas como sendo competições em vão que ninguém vence, nas quais pessoas viram coisas e cabeças viram degraus. Nesse contexto hostil, a ansiedade cresce e se torna uma patologia marcante do século XXI. Sob essa ótica, cabe analisar os desafios no combate a esse transtorno psicológico, que vão desde o imediatismo da pós-modernidade aos diversos problemas urbanos metaforizados pelo cantor. Logo, é imprescindível uma atuação estatal para reverter esse quadro.

A princípio, convém ressaltar que a instantaneidade possibilitada pela internet alterou o comportamento humano. Nesse sentido, as pessoas se acostumaram com a comunicação imediata via rede social e com as centenas de resultados disponíveis em segundos para pesquisas feitas em buscadores virtuais. Por conseguinte, isso cria um senso de urgência no indivíduo e normaliza a ansiedade. Com efeito, o sociólogo Zygmunt Bauman nomeou essa conjuntura como “modernidade líquida”, na qual os laços pessoais são frágeis e há pouca certeza sobre o futuro, fatores que geram muita angústia. Depreende-se, então, que deve haver um equilíbrio na utilização desses recursos tecnológicos para que o ritmo de vida diminua e a ansiedade não seja tão estimulada.

Somado a isso, é importante salientar que o cenário caótico das grandes cidades é gatilho para o desenvolvimento de transtornos psicológicos. Acerca disso, é de conhecimento público que existem graves problemas sociais nos estados brasileiros, como violência, pobreza e desigualdade, juntamente com instituições políticas marcadas por escândalos sem precedentes de corrupção. Todos esses fatores contribuem para gerar um sentimento de insegurança e de grande ansiedade nos cidadãos, tanto que a Organização Mundial da Saúde já definiu o Brasil como o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo. Infere-se, pois, que a saúde mental dos brasileiros deve ser levada em conta na idealização de políticas públicas pelas autoridades estatais.

Tornam-se evidentes, portanto, os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea. Nessa lógica, para superá-los, o Ministério da Educação deve criar um programa de viés comportamental nas escolas. Isso pode ser feito por meio de oficinas, dinâmicas de grupo e trabalhos semanais conduzidos por psicólogos que mostrem os efeitos do imediatismo criado pela internet e que ajudem os jovens a equilibrar as atividades diárias, com vistas a conter a ansiedade. Ademais, o Poder Legislativo deve criar canais de comunicação direta com os cidadãos, a fim de ouvir suas demandas primordiais e amenizar os gatilhos capazes de potencializar transtornos psicológicos. Assim, o cenário caótico da música de Emicida poderá ceder lugar a um ambiente mais equilibrado e menos ansioso.