Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 15/06/2020

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo o filósofo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância, de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, essa não é a realidade de pessoas que sofrem de ansiedade. Esse cenário é fruto tanto do tabu da sociedade em relação aos ansiolíticos, quando de questões socioeconômicos. Diante disso, cabe analisar os fatores que contribuem com o problema.

Precipuamente, é essencial pontuar que o tabu -associado aos ansiolíticos- corrobora com o impasse. As pessoas não querem tomar remédios para ansiedade, pois acham que irão ficar viciados, impotentes, bobos. Assim, indivíduos que precisam do ansiolítico para se tratarem e obterem melhora, ou até mesmo a cura da ansiedade, acabam tendo resistência ao uso desse remédio. Desse modo, essa resistência pode leva-lo à complicações sérias, podendo chegar, até mesmo, ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da saúde (OMS), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros. Com isso, fica evidente que esse tabu da sociedade contribui com a problemática.

Ademais, é imperativo ressaltar as questões socioeconômicas como promotoras do problema. A violência gera o medo e a insegurança, os quais trazem consigo a inquietação e a aflição das pessoas. O medo pela sua vida e pela vida de quem mais ama está atrelado à agonia e ao desassossego, tornando, assim, os indivíduos ansiosos. Além disso, crises econômicas e o desemprego vêm afligindo muitas pessoas na sociedade contemporânea. As mesmas, vivem na angústia constante pelas contas que devem ser pagas, da comida que precisam pôr na mesa e até mesmo da própria dignidade. Diante disso, evidencia-se que as questões socioeconômicas corroboram para o problema.

Portanto, é imprescindível uma tomada de medidas para que o combate à ansiedade deixe de ser um desafio e cesse. Dessarte, com o intuito de mitigar o tabu existente na sociedade é necessário que a OMS invista em campanhas publicitárias por meio da mídia -televisão, rádio e internet. As quais devem exercer o papel de conscientizar o indivíduo sobre a real necessidade do uso do ansiolítico e quebrar o tabu existente na sociedade contemporânea. Essa iniciativa teria como finalidade cessar a resistência ao uso desses remédios. Além disso, para atenuar os efeitos dos problemas socioeconômicos, o Estado deve construir mais áreas de lazer e de diversão para a população. Essas, por sua vez, servirão como um alívio de tensão para os indivíduos, afim  de tornarem as pessoas menos tensas e mais “leves”, o que refletiria diretamente na sua saúde mental. Só assim, a realidade dos indivíduos ansiosos se aproximará da descrita por Platão.