Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 05/11/2021

O livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, retrata a história da autora, que mora na favela e vive às custas dos recursos disponíveis no local. Do contexto literário à realidade hodierna, percebe-se que os catadores de materiais recicláveis compreendem uma parcela significativa da sociedade. Isso ocorre seja pela desigualdade financeira, seja pela imobilidade do povo. Dessa forma, é necessário que essa chaga social seja resolvida, a fim de que a realidade de Carolina não mais represente o cenário atual da nação

Sob essa perspectiva, é válido citar que as discrepâncias econômicas vigentes no país agravam a situação humanitária analisada. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “O Brasil é o nono país mais desigual do mundo.” Assim, infere-se que as classes inferiores submetem-se à trabalhos menos valorizados devido à sua condição socioeconômica inferior. Esse fato pode ser observado na pesquisa publicada pelo Instituto Locomotiva, o qual afirma que apenas seis por cento da população brasílica pertence à elite. Diante disso, torna-se evidente o vínculo entre poder aquisitivo e situações laborais. Desse modo, é imprescindível que, para a alteração da pesquisa feita pelo IBGE, essa problemática seja revertida.

Ademais, a falta de ação dos habitantes tupiniquins contribui para intensificar o problema exposto. Conforme a filósofa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” Essa informação permite concluir que de tão frequente que a conversão à profissão de catador de lixo tornou-se, o povo habituou-se a ela. No entanto, essa naturalização é maléfica ao perpetuar o potencial de inércia inerente aos cidadãos. Isso pode ser comprovado na primeira Lei de Newton, a qual afirma que um corpo permanece em repouso até que uma força o coloque em movimento. Sob essa ótica, a vontade de superar o enredo apresentado não é um fato observado na vida em comunidade, o que perpetua o aumento do número de coletores de material para reaproveitamento.  Dessa maneira, esse panorama urge ser solucionado para que a frase de Beauvoir seja contestada.

Portanto, algo precisa ser feito com urgência para solucionar a problemática não humanitária em questão. Logo, o Ministério do Trabalho e Previdência - órgão responsável por gerir as relações laborais -, deve promover a capacitação de catadores de lixo para um trabalho mais digno. Essa capacitação será realizada em todos os municípios por intermédio de agentes estatais e voluntários previamente selecionados. Além disso, esse treino será feito nas escolas municipais a cada seis meses. Por conseguinte, a população terá melhores condições de vida, trabalharão em ambientes menos degradantes e a realidade de Carolina Maria de Jesus não mais representará a dos brasileiros.